O Instituto do Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT) calculou a pressão turística sobre as cidades portuguesas, comparando-as a outras cidades europeias, e concluiu que Lisboa e Porto têm mais visitantes por residente que Londres, Barcelona e Praga.
Os resultados do estudo realizado pelo IPDT são avançados pelo Jornal de Notícias.
“Perante as discussões recentes sobre se há ou não turismo a mais, quisemos estudar o assunto de uma forma desapaixonada e fornecer dados capazes de orientar decisões informadas, para que o turismo possa continuar a crescer e a beneficiar o país com resultados e harmonia”, disse o presidente do IPDT, António Jorge Costa, ao JN.
Assim, o IPDT analisou a proporção entre os habitantes das cidades e o número anual de turistas, para concluir que os visitantes que chegam a Lisboa (4,5 milhões) são nove vezes superiores ao número de moradores (504 mil), enquanto no Porto é quase oito vezes superior (1,6 milhões de turistas para 214 mil residentes). Em Praga e Barcelona, é cinco vezes mais. Em Londres, apenas quatro.
Por dia, o Porto recebe 4500 turistas e a estada média de cada um faz com que, em simultâneo, se concentrem 9041 visitantes diariamente na Invicta. A maioria dos turistas concentra-se numa área de “dois ou três quilómetros”, explicou o presidente do IPDT ao JN, “dos Aliados à Praça Carlos Alberto e até ao rio”.
A concentração de turistas por quilómetro quadrado é um dos maiores desafios das cidades portuguesas. Os números mostram que, no Porto, há 228 turistas por quilómetro quadrado. Em Lisboa, o número é de 300 turistas por quilómetro quadrado. Para o responsável, “importa criar condições para que estas pessoas que se concentrem nas baixas se dispersem”.
Já em Albufeira, no Algarve, são 158 turistas por quilómetro quadrado. No entanto, a cidade algarvia tem 39 turistas por cada um dos seus 40 mil residentes, situação que demonstra o despovoamento dos centros históricos.
O estudo do IPDT mostra também que o aumento do turismo cria emprego e pode atrair população.
Com o crescimento dos proveitos da hotelaria observou-se também o aumento do limiar da pobreza em Portugal e a diminuição da taxa de desemprego.
Responsáveis do setor recusam problemas de sobrecarga turística
À margem da 13.ª edição do Fórum de Turismo Internacional (FIT), que se realiza esta quarta-feira em Vila Nova de Gaia, o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, e o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira, relativizaram o problema levantado pelo estudo conduzido pelo IPDT.
Luís Araújo destacou o “positivo que o turismo trouxe para as cidades e regiões”, em termos de “revitalização urbana e criação de emprego”. “Um dos grandes objetivos para os próximos 10 anos é que 90% das populações residentes nas regiões de maior densidade turista reconheçam a atividade turística como positiva para o país”, explicou, acrescentado que o “turismo é o principal agente da mudança para um território agradável para turistas e residentes”.
Já Melchior Moreira recusa a “ideia que se vende na imprensa de que há cidades com sobrecarga de turistas”. O responsável considera que o aumento do número de turistas “não está a prejudicar os residentes”, remetendo para os problemas da cidade há 10 anos, que tinha um centro “desertificado” e que agora tem um “investimento claro no centro histórico e na regeneração urbana”, procurando “criar outros espaços abandonados e atrativos em termos de promoção turística” e que os habitantes locais “beneficiam da atividade económica”.
“Tem havido a preocupação com agentes públicos, com as câmaras municipais, associando o setor privado, movimento associativo e a área hoteleira para perceber o que temos para dar em termos de território para não haver situações de exagero, sobrecarga, mal-entendidos e indisponibilidade por parte de quem habita para receber os turistas. Isso era o pior que podia acontecer ao destino, serem mal recebidos pelos habitantes locais, ou não recebidos por ninguém por não haver locais”, finalizou.