A Câmara do Porto quer reforçar a distinção entre vandalismo e arte urbana, incentivando os artistas a intervirem na cidade de forma autorizada e integrada no espaço público. A ideia foi reiterada esta sexta-feira pelo presidente da autarquia, Pedro Duarte, que acompanhou as equipas da empresa municipal Porto Ambiente numa ação de limpeza de graffiti na Alameda das Fontainhas.
Segundo dados municipais, só em 2025 foram realizadas mais de 19 mil intervenções, que permitiram limpar 467 mil metros quadrados de paredes através de pintura e remover cerca de 100 mil metros quadrados de graffiti em pedra, utilizando técnicas específicas como a limpeza por sílica.
Limpeza de graffiti custa 400 mil euros por ano
Atualmente existem 13 trabalhadores dedicados exclusivamente à remoção de graffiti, cartazes, autocolantes e outras inscrições não autorizadas em edifícios públicos e mobiliário urbano.
O custo anual destas operações ronda os 400 mil euros, um valor que o presidente da Câmara considera elevado.
Pedro Duarte afirmou que preferia ver esse montante aplicado no desenvolvimento do Programa de Arte Urbana do Porto, destinado a promover murais e intervenções artísticas autorizadas.
Município quer mais murais e menos vandalismo
O autarca defendeu que a cidade deve continuar a apoiar a expressão artística no espaço público, desde que seja feita de forma regulada e contribua para valorizar a paisagem urbana.
Segundo Pedro Duarte, a autarquia pretende disponibilizar mais espaços para intervenções autorizadas e incentivar artistas a participarem em projetos que melhorem visualmente a cidade.
O presidente da Câmara acrescentou que murais bem integrados podem ajudar a requalificar zonas degradadas e contribuir para um espaço público mais qualificado.
Programa de Arte Urbana aberto a novos projetos
O Programa de Arte Urbana do Porto promove intervenções artísticas no espaço público, incluindo obras temporárias e permanentes, envolvendo artistas emergentes e nomes consagrados, nacionais e internacionais.
A iniciativa é gerida pela Ágora – Cultura e Desporto do Porto e está aberta a propostas espontâneas de artistas interessados em desenvolver projetos na cidade.
Com esta estratégia, o município pretende continuar a combater o vandalismo, ao mesmo tempo que promove uma relação mais próxima entre os criadores de arte urbana e o espaço público do Porto.