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Vai nascer uma ecopista entre Campanhã e a Alfândega

Vai nascer uma ecopista entre Campanhã e a Alfândega

A Câmara do Porto quer recuperar a Linha do Ramal da Alfândega. Em cima da mesa estão duas soluções, que serão colocadas em discussão pública. Enquanto isso, a autarquia quer avançar já para a criação de uma ecopista.

A Linha do Ramal da Alfândega, que liga Campanhã à Alfândega através da antiga ferrovia existente na encosta urbana do Rio Douro, está desativada desde 1989.

No sentido de recuperar este canal, “um ativo com enorme potencial para a mobilidade e coesão territorial”, a Câmara do Porto está a estudar duas soluções.

O primeiro projeto “consiste na criação de um novo percurso pedonal e ciclável, aproveitando os troços em túnel e a céu aberto, bem como na requalificação ambiental e paisagística da sua envolvente, nomeadamente através da criação de um parque urbano em socalcos, em toda a área adjacente ao canal ferroviário”. Segundo indica a proposta do vereador do Urbanismo, Pedro Baganha, este projeto prevê, ainda, o reforço da relação entre a cota baixa, junto ao rio, e a cota alta, da cidade consolidada, estando previstas diversas ligações, algumas das quais a dotar de meios mecânicos.

A outra solução passa pela utilização do Ramal da Alfândega para “uma ligação rápida entre Campanhã e a Alfândega, através de um transporte pendular, confortável e elétrico, operado por veículos modernos que prestarão um serviço de mobilidade inédito entre estes dois polos de elevada atração urbana, tendo como principal objetivo a redução do número de veículos motorizados que entram diariamente na cidade, e permitindo ao mesmo tempo a reconversão de parte do parque de estacionamento da Alfândega numa zona de fruição e lazer”.

Os projetos estão a ser preparados e serão depois alvo de um “debate alargado às forças políticas e à cidade”, lê-se na proposta.

Enquanto essa discussão decorre, a Câmara do Porto quer avançar com a criação de uma ecopista, “uma solução simplificada que permite, desde já, a abertura deste percurso à fruição da população, iniciando a recuperação do canal com custos de implementação reduzidos, garantindo a curto prazo a funcionalidade e a segurança da sua utilização como ecopista dedicada aos modos suaves de mobilidade, de cariz turístico e de lazer”.

Uma vez que o Ramal da Alfândega permanece no domínio público ferroviário sob gestão da IP Património – Administração e Gestão Imobiliária, a proposta a ser votada pelo Executivo Municipal na reunião da próxima segunda-feira, dia 22, diz respeito à celebração de um contrato entre o Município e a IP. “Só depois deste passo, será possível à autarquia iniciar as referidas obras de beneficiação do canal, a curto prazo”, explica a Câmara do Porto.

De recordar que esta linha ferroviária foi muito importante para a cidade durante o final do séc. XIX e início do séc. XX, passando por ali todo o tipo de mercadorias que chegavam à Alfândega por via marítima e tinham de ser transportadas de comboio para resto do país a partir da Estação de Campanhã.

No decorrer da segunda metade do século XX, o ramal foi perdendo lentamente a sua importância comercial, devido à transferência da atividade portuária para o Porto de Leixões, acabando por ser desativado no final dos anos 80.

Foto: Miguel Nogueira | CM Porto

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