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Porto foi pioneiro na inauguração de linha de carros elétricos

Porto foi pioneiro na inauguração de linha de carros elétricos

Foi há, precisamente, 126 anos. Corria o ano de 1895 quando a cidade do Porto foi palco da primeira viagem de um carro elétrico pelas ruas da cidade, tornando-se, assim, pioneira na inauguração da primeira linha de carros elétricos da Península Ibérica.

O momento solene aconteceu a 12 de setembro, entre Massarelos e o Carmo, na “subida da Rua da Restauração”, e tornou-se, até então, verdadeiramente, inesquecível. “As pessoas sentiam-se muito admiradas, na inauguração. Perguntavam-se onde estariam os cavalos, porque a tipologia [dos carros] era exatamente igual à dos que eram puxados por cavalos”, recordou Carla Dias, coordenadora do Museu do Carro Elétrico, em entrevista à RTP, na altura da comemoração dos 150 anos da efeméride.

A realidade de outrora era bastante diferente da que conhecemos atualmente, com os primeiros veículos disponíveis para esse fim a circular, também em carris, mas a recorrer à tração animal, sendo, desta forma, puxados por cavalos. Estes chegaram à cidade em 1870, quando entregaram a concessão sobre carril ao Barão da Trovisqueira, e apenas 25 anos depois se deu o “salto” para a eletrificação da linha.

“Foi um dia muito importante, porque foi o primeiro carro elétrico da Península Ibérica”, afirmou ainda a responsável, destacando que, rapidamente, os carros elétricos para o transporte coletivo de passageiros passaram a ganhar renome entre os portuenses, que o utilizavam com bastante regularidade, tornando-o, assim, “parte da [sua] vida diária”. “A ida e a vinda para o trabalho. A ida e a vinda para banhos. Para festas. As pessoas iam trabalhar de elétrico, namoravam no elétrico, iam passear ao domingo de elétrico”, salientou.

As viagens em causa tornaram-se possíveis graças a José Ribeiro Vieira de Castro, na altura gerente da Companhia Carris de Ferro do Porto, lê-se no blogue do Museu do Carro Eléctrico, que explica que foi através de um requerimento enviado em seu nome, a 17 de janeiro de 1894, para a Câmara Municipal do Porto que foi possível realizar a primeira experiência com carro elétrico na cidade.  

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No documento endereçado, o responsável pedia a autorização autárquica para um ensaio que consistia em “substituir, na tração dos seus carros, a força animal pela elétrica”. E cerca de 10 meses depois, após ter sido concedido o alvará da Direção Geral dos Telégrafos, “autorizando uma instalação, a título experimental, na Rua da Restauração”, o Porto começava a eletrificação efetiva das linhas.

De acordo com Rui Pereira, a inauguração da primeira linha de carros elétricos na Invicta só veio confirmar a “cidade liberal, progressista” e “muito à frente” que a cidade sempre foi. Pioneira, vanguardista, altruísta e inusitada…

Com esta revolução dos transportes públicos, a cidade expandiu-se “para pequenos aldeamentos da periferia”, enquanto os “habitantes das periferias passaram a ter o acesso melhorado ao centro urbano”, considera a Sociedade de Transportes Públicos do Porto (STCP), acreditando que, desta forma, a circulação de pessoas e produtos se tornou facilitada e, consequentemente, o desenvolvimento da cidade também.

Os elétricos que circulam atualmente nas ruas do Porto datam, na sua maioria, dos anos de 1920 a 1940 e são denominados por veículos Brill 23 lugares, de eixo simples, por terem sido adquiridos à J.C. Brill Company (Philadelphia, USA). Foram transformados ao longo dos anos nas Oficinas dos Serviços de Transportes Coletivos do Porto, sendo, agora, reconstruídos nas Oficinas de Massarelos da STCP. Contudo, mantêm a traça dos anos de 1960, com as cores e logotipo da primeira municipalização da empresa, em 1946.   

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