O Farol-Capela de São Miguel-O-Anjo, no Porto, considerado uma “peça de arquitetura marítima de valor singular no panorama patrimonial”, vai ser reabilitado. O protocolo será assinado esta sexta-feira entre a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) e a Marinha Portuguesa.
Classificado em 1951 como Imóvel de Interesse Público, o Farol “encontra-se fechado e em muito mau estado de conservação, devido à salinidade do ar, ao desgaste natural de quase 500 anos de vida, às mutilações provocadas pelo encosto dos outros edifícios e por usos espúrios”, refere a DRCN em comunicado.
A intervenção, a realizar pela DRCN, visa a conservação e restauro do edifício do Farol e a sua valorização, incluindo a abertura ao público e a criação de um núcleo expositivo que enquadre historicamente o sítio e o monumento.
O Farol/Capela foi construído por volta de 1528, por iniciativa e a expensas de D. Miguel da Silva, embaixador do rei junto do Papa, Bispo de Viseu e Abade Comendatário do Mosteiro de Santo Tirso. Foi desativado nos meados do séc. XVII, mantendo-se em uso apenas como Capela. Posteriormente, juntaram-se dois edifícios à estrutura quinhentista: o dos Pilotos da Barra do Douro, construído em 1841, e a Torre Semafórica ou Telégrafo, levantada poucos anos mais tarde. Os rochedos onde fundava o farol ficaram afundados no molhe construído nos finais de oitocentos, no âmbito das obras de beneficiação da Barra.
Instrumentos de medição foram entretanto associados, aproveitando a plataforma do molhe: o marégrafo e o anemómetro, o primeiro para a altura das marés e o segundo para a velocidade dos ventos. Por último, foi adossada à plataforma uma rampa de acesso, destinada a barcos de pesca e de socorros a náufragos.