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Porto: cobiça e respeito, por Nassalete Miranda

Porto: cobiça e respeito, por Nassalete Miranda
Porto é nome que ultrapassa cidade, área metropolitana, região, país e europa. Porto é sinónimo de mundo. Agrega Cultura, Património, História, Cidadania, Ciência, Universidade, Tradição.
Porto é teatro e cinema, música e artes “belas”, literatura, imprensa, arquitectura e vinho.
Porto é um jeito de ser e de sentir, de teimar e de resistir.
Porto é liberdade e patriotismo no coração de D. Pedro IV.
Porto é sotaque fechado em ruas estreitas e íngremes; é casario em reboliço nocturno à beira rio, que é de ouro, antes de ser Douro, que é navegável, internacional, turístico, belo e único, em descobertas feitas passeios fluviais azuis e dourados.
Porto é altruísmo registado nas “tripas”; é um jeito ímpar de receber os de “fora”.
Porto gosta de ser Norte. Assume o seu lugar na geografia e olha altivo lá para baixo, para o Sul, de onde não inveja praias, sol, ou mar, nem “parelhas ou montes” e rejeita os que bebem a “água em todas as fontes”.
Do Porto “houve nome Portugal” – Portus Cale 200 anos a.C.; é mundo/cidade/gente, Antiga, Mui Nobre e Sempre Leal desde o século XIX e Invicta, ou seja: Invencível, desde o Cerco do Porto, também século XIX.
Porto é escultura e museus, em rede invejável liderada pelo Museu Nacional Soares dos Reis, mas infelizmente pouco apoiada por quem gere os destinos do Património luso.
Porto está geminado com cidades espalhadas pela Europa, África, América e Ásia; é um dos destinos turísticos mais antigos da Europa e nos últimos dois anos a cidade preferida dos europeus.
Por tudo isto, e, sobretudo por tudo o que neste espaço já não cabe para escrever, o Porto é alvo de cobiças várias e de invejas muitas.
A História, essa memória dos povos, regista bem essa cobiça, como regista o respeito de reis e de rainhas pelos cidadãos portuenses, que mantiveram durante décadas três jornais diários na sua cidade e que foi alforge de revistas e movimentos literários impulsionadores e inspiradores do mundo literário e cultural português.
Também a República respeitava a Invicta!
Hoje o desrespeito vai ao cúmulo do incumprimento governamental nas verbas orçamentadas, revistas e auditadas, destinadas à Porto Vivo,SRU. Situação lamentável que originou mais uma indignação da Cidade manifestada em “Carta Aberta ao Governo de Portugal”
Neste período de Eleições Autárquicas, renasceu a cobiça. Agora, o que se exige a todos é RESPEITO pela Cidade onde vive mais de um milhão de pessoas que sempre recusou a “conversa da treta”.

Nassalete Miranda
Professora do Ensino Superior e diretora do jornal “As Artes Entre as Letras”

*Este texto não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico{jcomments on}

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