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Recheio 2026

Porto aperta fiscalização e número de multas por estacionamento continua a aumentar

Porto aperta fiscalização e número de multas por estacionamento continua a aumentar

O estacionamento em cima dos passeios, em segunda fila ou em locais proibidos continua a marcar o dia a dia no Porto. Os números confirmam a dimensão do problema: entre janeiro e abril deste ano foram passadas, em média, 269 multas por dia por estacionamento irregular.

O estacionamento indevido continua a ser uma das principais dores de cabeça da mobilidade no Porto. Segundo o JN, só entre janeiro e abril deste ano, foram registadas, em média, 269 multas por dia por infrações relacionadas com estacionamento irregular, um número que mais do que duplica a média diária verificada em 2024.

De acordo com dados da Câmara Municipal do Porto, ao longo de 2024 foram levantados 39.867 autos de contraordenação, o equivalente a cerca de 109 por dia. Em 2025, esse número praticamente duplicou para 89.970 infrações, enquanto nos primeiros meses de 2026 a média voltou a aumentar, aproximando-se das 300 autuações diárias.

A evolução reflete-se também na receita gerada pelas coimas. Se em 2024 o Município arrecadou cerca de 375 mil euros, entre janeiro e maio deste ano esse valor já ultrapassou os 1,3 milhões de euros.

Passeios, passadeiras e segunda fila lideram infrações

Segundo a autarquia, as situações mais frequentes incluem veículos estacionados sobre passeios, em passadeiras, em lugares reservados a pessoas com mobilidade reduzida, em zonas de cargas e descargas, em locais de paragem proibida ou em segunda fila.

Além de colocarem em causa a segurança dos peões, estas infrações têm impacto direto na circulação automóvel e nos transportes públicos, sendo frequentes os bloqueios provocados por viaturas mal estacionadas que impedem, por exemplo, a passagem de autocarros.

Há ruas onde o problema é diário

Embora o fenómeno se verifique um pouco por toda a cidade, existem zonas onde o estacionamento irregular é particularmente recorrente.

Entre as artérias com maior número de infrações destacam-se a Rua de Costa Cabral, Rua da Constituição, Rua Dr. Eduardo Santos Silva, Alameda do Professor Hernâni Monteiro, Rua de Honório de Lima e Rua de Azevedo Coutinho.

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Nestas zonas, comerciantes e moradores dizem que as infrações fazem parte da rotina diária.

A proximidade de escolas, serviços, comércio, unidades de saúde e equipamentos universitários contribui para o problema, sobretudo nas horas de maior movimento, quando muitos condutores optam por parar em segunda fila ou ocupar locais proibidos para deixar ou recolher passageiros.

Falta de estacionamento divide opiniões

Entre os moradores e comerciantes, há quem considere que a escassez de lugares disponíveis contribui para o aumento das infrações. Outros defendem que o problema passa sobretudo pela falta de civismo de alguns automobilistas.

Há ainda quem proponha soluções como o reforço dos parques de estacionamento, uma maior aposta nos transportes públicos ou mesmo a limitação da circulação automóvel em algumas zonas centrais, à semelhança do que acontece em várias cidades europeias.

Câmara aposta na sensibilização

Perante o aumento das infrações, a Câmara Municipal do Porto lançou recentemente uma campanha de sensibilização dirigida aos condutores, procurando alertar para os impactos do estacionamento indevido na mobilidade, segurança e funcionamento dos serviços essenciais.

A autarquia acredita que a iniciativa poderá contribuir para uma mudança de comportamentos e para a redução das situações de estacionamento irregular, sobretudo em locais que colocam em risco peões e dificultam a circulação de transportes públicos, veículos de emergência e equipas municipais.

Importa recordar que os autos levantados pela Polícia Municipal têm exatamente a mesma validade legal das contraordenações aplicadas por outras forças de segurança.

Fotografia: Miguel Nogueira
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