CM Matosinhos

Por acaso…

Por acaso...

Por acaso até faz falta, à cidade e a todos quantos vivem o Natal. O Natal portuense, cheio de rituais, hábitos e costumes enraizados no tempo. Faz falta e, por isso, venho reclamar do facto de, este ano, o Porto não ver a sua árvore natalícia. A árvore que, há 155 anos, faz parte da nossa paisagem de dentro e de fora. Da alma e do corpo, da casa e da rua. A árvore: instituição, sentimento, objecto de família, paixão, afecto. Uma parte de nós. Um desejo e uma esperança. A alegria partilhada.

Quando, no Natal de 1865, a árvore apareceu, como novidade, no Palácio de Cristal, deslumbrou e entusiasmou os tripeiros que logo a adoptaram como sua. Mas nem todos, Ramalho Ortigão expressando o pensamento conservador do Burgo viu nela um inimigo do presépio e uma ofensa à tradição portuguesa. Outros alegaram que o culto da árvore era manifestação de paganismo (e era, mas não esta convertida em uso cristão).

Foto: Arquivo

Há anos, numa crónica brilhante, o inesquecível Manuel António Pina perguntava: “Quem tem medo do Presépio?”, pois a procissão do multiculturalismo ainda vinha no adro e já este símbolo do espírito da época fora banido do espaço público. Era a neo-modernidade em retrocesso. Perdemos agora a árvore da memória e identidade do Burgo. Já não chegava que a maldição que nos tolhe a vida viesse roubar amizades, sorrisos, beijos, abraços, simpatias, liberdade para ainda fazer eclipsar a árvore de Natal da Avenida. (Que diabo! – e desculpem os anjos do céu tal blasfémia -, até o Rockefeller Center, em N.Y. vai ter a sua árvore! Como diria o meu neto: «Isto é que é uma situação!»)

Hélder Pacheco (in JN)

Foto de entrada: Manuel Roberto

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