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Pinguim Café: a “casa” no Porto onde a poesia, a música e a comédia nunca saem de moda

Pinguim Café: a

É na porta nº65 da Rua de Belomonte, na cidade do Porto, que mora o famoso Café Pinguim. O espaço nasceu em 1987, há pouco menos de quatro décadas, e atualmente é um dos principais “berços” da cultura portuense, com programação cultural diária.

No local, há uma vasta garrafeira, mas o ex-libris da casa é a cultura. Seja música, stand-up comedy ou outras performances, o que não falta é arte no Pinguim. O destaque principal vai para as segundas-feiras, dia onde se diz e ouve poesia desde 1988.

“É o sítio em Portugal onde se diz poesia há mais tempo”, afirma Rui Spranger, um dos responsáveis atuais do espaço, que gere o bar desde que este passou de mãos, há três anos, após o falecimento do seu anterior proprietário, Paulo Pires.

Pinguim: um sítio que nunca saiu de moda

O nome Pinguim tem origem no estúdio que os fundadores, Luís Carlos e a sua esposa Fernanda, já possuíam antes de abrirem o bar, em 1987. A designação “Café” terá sido sugerida por um dos frequentadores da casa e ficou também pela ligação à conhecida Pinguim Café Orquestra, banda de referência dos anos 80.

“O Pinguim nunca esteve na moda, mas também nunca saiu de moda” – refere o responsável.

A programação semanal é quase diária: segundas de poesia, terças de “noites de pensamento”, às quartas começa agora uma roda de choro (encontro de músicos em torno deste estilo brasileiro, uma espécie de jam session), às quintas é a vez do stand-up comedy, e as sextas, sábados e domingos estão dedicados a concertos.

Ao longo do tempo, o espaço foi palco de momentos que ficaram na memória. “Houve uma noite em que o Rodrigo Amarante, que tinha tocado no festival Lumino em Amarante, apareceu aqui na noite de poesia e tocou”, recorda o responsável.

“E quando a banda de Elza Soares veio dar concerto à Casa da Música, a banda apareceu toda cá. Foi uma noite completamente louca.” Por aqui passaram também nomes como Pedro Abrunhosa, Ana Deus, e os Telepopmusik, que aqui gravaram o seu primeiro álbum.

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Na poesia, o historial é igualmente expressivo. Vários foram os poetas que aqui começaram, entre os nomes Francisca Camelo. Daniel Meiro Pinto Rodrigues e muitos alunos da Escola Superior Artística do Porto (ESAP) fizeram exposições neste espaço que o responsável descreve como um “ateliê de experimentação”.

Nas noites de poesia já foram recitados versos em coreano, mandarim, cantonês, estónio, finlandês, grego, hebraico, árabe e farsi, entre muitas outras línguas.

Um espaço com (muita) história

O Pinguim Café integra a lista Porto de Tradição, distinção atribuída pela Câmara Municipal do Porto a estabelecimentos com relevância histórica e cultural. “É um reconhecimento da importância cultural do espaço”, sublinha o responsável.

A poucos meses de completar quatro décadas, o bar está em conversações com o município para realizar uma grande exposição que reuna o arquivo da casa: recortes de imprensa, registos de concertos, fotografias das mesas com os rabiscos a giz que os clientes deixam.

“O objetivo é continuar o que já estava a ser feito e, se possível, potenciar, sem alterar aquilo que é a identidade do Pinguim”, conclui o responsável. O bar permanece, como sempre, um pouco à margem da movida, mas nunca fora dela.

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