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Petição pede “Bolhão de volta” e contesta transformação em praça de alimentação

Petição pede “Bolhão de volta” e contesta transformação em praça de alimentação

A Associação do Comércio Tradicional Bolha de Água lançou uma petição pública com o objetivo de “devolver o Mercado do Bolhão ao Porto”, apelando à preservação da identidade histórica e funcional daquele que é um dos maiores símbolos do comércio tradicional da cidade. O documento expressa “profunda preocupação com a ameaça iminente de perda irremediável do Mercado do Bolhão na sua essência de mercado de frescos, comércio tradicional e de gestão pública” e será entregue à Assembleia da República.

Entre as principais reivindicações está o cumprimento dos compromissos assumidos aquando da reabilitação do espaço, no valor de 50 milhões de euros, nomeadamente a manutenção do edifício como mercado de frescos, com os restaurantes limitados às galerias e as lojas tradicionais no exterior. A associação alega que tal “não acontece atualmente” e denuncia uma “desvirtuação do mercado para uma mera praça de alimentação”.

A petição exige também o cumprimento rigoroso do Regulamento n.º 82/2020 e dos concursos públicos para atribuição dos espaços comerciais. Em particular, pede que se ponha fim à instalação de bancas de restauração e venda de produtos cozinhados em áreas destinadas a frescos, contrariando as categorias previstas.

Outro ponto crítico diz respeito à ocupação de escadas e vias de emergência por clientes a consumir produtos em material descartável, o que, segundo os subscritores, compromete “as condições de higiene, segurança contra incêndios e a imagem do mercado”.

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A associação reclama ainda uma maior inclusão das lojas exteriores nas ações de gestão, marketing e promoção do mercado, defendendo que os comerciantes devem ser “parceiros naturais” da gestão e ter voz ativa nas decisões.

No texto da petição, que apela à participação da sociedade civil, a associação lembra que o Bolhão é “a última oportunidade para existir um mercado de frescos e tradicional na cidade do Porto” e alerta para os efeitos da turistificação: “A perda do último mercado de frescos e tradicional da cidade terá danos irreversíveis na identidade da Invicta, colocando em causa o abastecimento alimentar da cidade e o seu valor patrimonial e social.”

A iniciativa propõe ainda que seja lançado um concurso público internacional para a seleção de uma nova equipa de gestão, com experiência comprovada na valorização de mercados tradicionais, capaz de “devolver o mercado aos cidadãos do Porto e da região”.

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