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Obras no Teatro São João obrigam à retirada de sem-abrigo das escadas do edifício

Obras no Teatro São João obrigam à retirada de sem-abrigo das escadas do edifício

As pessoas em situação de sem-abrigo que costumavam pernoitar nas escadas do Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, foram esta quinta-feira, 8 de agosto, retiradas do local para permitir o arranque das obras de reabilitação da fachada do edifício, classificado como monumento nacional.

A intervenção, que inclui a manutenção e pintura de todas as portas, deverá decorrer até 12 de setembro. Durante este período, o teatro estará encerrado ao público e não haverá espetáculos em agenda.

De acordo com Cláudia Leite, vogal do Conselho de Administração do TNSJ, em declarações ao JN, esta ação foi articulada com a Câmara Municipal do Porto e com várias instituições sociais, no sentido de garantir soluções para as pessoas afetadas. “Há um conjunto de pessoas sem-abrigo que já estão há bastante tempo a habitar as laterais do teatro. Este processo foi articulado com as instituições sociais e procurámos apresentar soluções para todas as pessoas”, afirmou.

Segundo o TNSJ, são habitualmente nove as pessoas que pernoitam nas escadas do edifício. No entanto, esta manhã já apenas permaneciam quatro ou cinco. “Algumas já não estavam cá, porque efetivamente foram encaminhadas para outros locais para poderem ser realojadas. Estamos a acompanhar todos estes processos com a Câmara para que as pessoas não fiquem numa situação desprotegida”, sublinhou Cláudia Leite.

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Plano de intervenção social em curso

Segundo o JN, a obra foi programada para decorrer durante o período em que o teatro se encontra encerrado, de forma a minimizar o impacto no funcionamento da instituição e no quotidiano da cidade. “É uma obra necessária para a nossa segurança, para a segurança de quem aqui está e de quem vem ao teatro. Não podia ser adiada mais tempo”, justificou a responsável.

Já em setembro de 2024, o Conselho de Administração do TNSJ tinha anunciado a intenção de criar um plano de integração dirigido às pessoas sem-abrigo que ocupam habitualmente o espaço exterior do teatro. Segundo Cláudia Leite, o plano começou a ser implementado no final desse ano e tem sido desenvolvido em articulação com a Segurança Social, a Câmara do Porto e outras entidades que acompanham pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Temos vindo a desenvolver projetos de envolvimento de comunidades, de trabalho com pessoas que até já deixaram a situação de sem-abrigo e que estão integradas na sociedade. Algumas têm vindo a participar nas atividades do teatro, não só educativas, mas também de programação e produção”, acrescentou a vogal do Conselho de Administração.

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