“Vai ficar tipo hostel. O objetivo é dar dignidade a quem mais precisa e melhorar o conforto”, diz Miguel Neves, diretor da Associação dos Albergues Noturnos do Porto (AANP), admitindo que o seu sonho é que um dia deixe de haver sem-abrigo na cidade e que o edifício do século XVII se possa adaptar para um alojamento turístico local.
As obras de fundo no edifício, que tiveram início em julho de 2015, e se estima que terminem até ao final deste ano, vão permitir albergar um total de 75 sem-abrigo – 60 homens e 15 mulheres – com quartos servidos de aquecimento central, novas instalações sanitárias e chão e paredes renovadas.
A instituição admite, todavia, que precisa de donativos financeiros urgentes para colmatar as necessidades, designadamente as relacionadas com mobiliário e, por isso, Miguel Neto, apela à solidariedade da sociedade civil.
Miguel Neto diz que todos os donativos são bem-vindos. “Podem ser 15 euros que dá para comprar lençóis, ou podem ser 200 euros que dá para comprar uma cama”, exemplifica o responsável, explicando que a comparticipação da Segurança Social não é suficiente para apoiar o aumento da capacidade de alojamento a partir de janeiro.
O investimento nas obras de fundo que o imóvel dos Albergues Noturnos recebeu – mais de meio milhão de euros – significa “um tremendo esforço financeiro para continuar a ajudar pessoas em pobreza extrema”, um trabalho que a instituição faz desde 1881 na cidade do Porto.
Os Albergues Noturnos têm constantemente o espaço com “lotação esgotada” e todos os dias aparecem mais pedidos para alojamento, principalmente de utentes assinalados pela Segurança Social e unidades hospitalares que sofrem de patologias psiquiátricas, como esquizofrenia, ou que são toxicodependentes.
Para além dos alojados, os Albergues Noturnos fornecem 99 refeições diariamente à comunidade.