O presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, anunciou esta terça-feira, 2 de setembro, que pretende ter pronto até ao final do ano o projeto de execução para a tunelização da Estrada Nacional 14 (EN14), no centro da cidade, com o objetivo de lançar o concurso público para a obra em 2026.
“Fazendo o projeto de execução, agora até final do ano, mais coisa menos coisa, o projeto de execução deste enterramento da Nacional 14, aqui no centro da cidade, tem que estar pronto”, afirmou o autarca social-democrata, citado pelo Porto Canal, à margem da assinatura de um acordo de gestão com a Infraestruturas de Portugal (IP), celebrado na Câmara da Maia.
O acordo abrange o troço urbano da EN14 entre os quilómetros 5,9 e 7,4, e atribui à autarquia a responsabilidade de desenvolver o projeto de execução, com apoio técnico da IP. A obra, que pretende resolver constrangimentos rodoviários e integrar paisagisticamente o atravessamento da via, deverá unir as duas margens da cidade.
“Maior parte da despesa deve ser assumida pelo Estado”
Segundo António Silva Tiago, após a conclusão do projeto, será possível calcular com exatidão o custo da intervenção e negociar a sua repartição. “Vamos saber com rigor quanto é que custa essa obra e vamos nos sentar, a Câmara e o Ministério das Infraestruturas e a IP, e vamos repartir despesa”, disse, acrescentando: “A maior parte da despesa deve ser assumida pela administração central.”
O presidente da Câmara considera que se trata de uma obra “fácil de fazer”, graças às alternativas viárias disponíveis para desvio de trânsito, e estima que os trabalhos possam ficar concluídos “num ano ou ano e meio”. “Estou convencido que se a obra avançar em 2026, com o concurso público, em finais de 2027, no máximo em meados de 2028, a obra está pronta”, afirmou.
Durante a cerimónia, o projetista António Martins, da EPOCA – Gestão, Estudos e Projetos, explicou que a proposta passa por dotar a EN14 de três vias em cada sentido, com bermas e separador central, no troço entre o nó de Chantre e o nó de Chiolo.
A tunelização, sublinhou, é vista como “a única solução técnica que permite diminuir de forma significativa o ruído emitido por esta infraestrutura rodoviária, dentro dos parâmetros exigíveis pela legislação vigente e sem impactos significativos na paisagem”.
O projeto incluirá também um estudo de integração paisagística, aproveitando a cobertura do túnel como novo espaço público e contribuindo para o bem-estar urbano.
Uma “ferida na cidade” e um eixo estratégico
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, também presente na cerimónia, descreveu a EN14 como “uma ferida na cidade da Maia” e considerou que a estrada “está subdimensionada em termos do fluxo e do papel que tem de ligação Porto – Maia – Braga”.
Já o presidente da IP, Miguel Cruz, classificou o acordo como “particularmente importante para o futuro da mobilidade urbana” no concelho, destacando a ligação à A41 e à zona industrial Maia I, uma das mais relevantes do país.