Um telescópio desenvolvido por investigadores portugueses já está em funcionamento no Chile e promete trazer novos avanços no estudo do Universo, a começar pelo Sol.
O projeto, liderado pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, chegou recentemente ao Observatório do Paranal, onde realizou as primeiras observações solares. A informação foi mencionada em nota enviada à imprensa.
O equipamento, designado PoET, passou com sucesso pela fase de testes iniciais, conhecida como “primeira luz”, confirmando que está pronto para entrar numa nova etapa científica.
Instalado no mesmo complexo do Very Large Telescope, o telescópio vai trabalhar em articulação com o instrumento ESPRESSO, o que permitirá analisar o Sol com um nível de detalhe sem precedentes.
O objetivo é claro: compreender de que forma a atividade solar pode interferir na deteção de planetas fora do Sistema Solar.
Segundo Nuno Cardoso Santos, responsável pelo projeto, esta fase inicial serviu para validar o funcionamento do sistema, estando agora em curso ajustes antes do arranque da investigação propriamente dita.
Todo o desenvolvimento, tanto ao nível técnico como informático, foi feito em Portugal, numa colaboração entre equipas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto.
A grande mais-valia do PoET está na sua capacidade de observar zonas específicas do Sol com elevada precisão. Como explica Alexandre Cabral, esta abordagem permitirá perceber como diferentes fenómenos solares influenciam os dados recolhidos: um conhecimento essencial para interpretar sinais vindos de estrelas distantes.
Na prática, o Sol será usado como referência para melhorar os métodos de identificação de exoplanetas, ajudando os cientistas a distinguir com maior rigor aquilo que é ruído daquilo que pode ser um novo mundo por descobrir.