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O primeiro automóvel a chegar a Portugal

O primeiro automóvel a chegar a Portugal

Panhard & Levassor. O nome poderá soar estranho a muitos, mas a verdade é que já fez muito furor em Portugal, uma vez que representa a marca do primeiro automóvel que circulou pelas estradas nacionais. Aconteceu em 1895 e as peripécias foram muitas. Volvidos mais de 120 anos, a VIVA! recorda este momento histórico e conta-lhe o que é feito do veículo…

Entrou em território português a 12 de outubro pelas mãos do conde Jorge d’Avilez, um jovem aristocrata de Santiago do Cacém, cidade pertencente ao distrito de Setúbal, que se destacava pela sua paixão por viajar. E, segundo conta a história, terá sido numa das suas viagens, a Paris, que deu de caras com aquele que seria o futuro das deslocações – o automóvel –, encomendando um exemplar à Casa Panhard & Levassor de Paris, assim que existiu o primeiro contacto com o novo meio de transporte. Jorge de Avilez “entusiasmara-se, comprara-o e fora para Lisboa esperar a sua chegada, sabendo muito bem o sucesso que ambos iriam ter ou provocar”, contou Maria da Conceição Vilhena, professora catedrática pela Faculdade de Letras dos Açores, num texto de homenagem ao Automóvel Clube de Portugal (ACP), por altura do centenário deste organismo, que hoje detém o veículo.

Chegado a Portugal, os serviços alfandegários protagonizaram a primeira peripécia com o veículo, uma vez que ninguém sabia como classificar, ao certo, a mercadoria, surgindo a grande dúvida: “seria uma máquina agrícola ou um locomóvel [máquina movida a vapor]”? Acabou por se adotar esta última, entrando o Panhard & Levassor nos registos com a designação de locomóvel! Sem carta de condução ou código da estrada a respeitar, o conde seguiu viagem para Santiago do Cacém. Na passagem por Palmela, o mais moderno meio de transporte, para a altura, atropelou um burro e protagonizou, assim, o primeiro acidente de viação no país.

O Panhard & Levassor de Jorge d’Avilez era equipado com um motor dianteiro longitudinal de dois cilindros em V com 1290cc e tração traseira. Por sua vez, a direção era comandada por cana de leme e as rodas, de maior dimensão atrás, eram feitas em aros de ferro.

Com lotação para quatro pessoas, a capota era em couro e podia ser rebaixada em fole. Já a velocidade, essa era espantosa, 15 quilómetros por hora, o que permitiu percorrer a distância entre Lisboa e Santiago do Cacém em muito menos tempo do que era habitual.

Muitas mais aventuras Jorge d’Avilez poderia ter vivido com este veículo se, em 1901, não o tivesse vendido a Mariano Sodré de Medeiros por 700.000 réis, com o intuito de trocar por um mais moderno, um desejo que, curiosamente, acabaria por não se concretizar, devido à morte precoce do conde, por tuberculose. Mais tarde, o novo dono do Panhard & Levassor, não estando satisfeito com o veículo, segundo avança o ACP na sua página oficial, decide, também, trocá-lo por um “Decauville”. A sua transação procede-se no Porto, mais concretamente no estabelecimento de João Garrido que, na troca, recebeu o automóvel e, durante muitos anos, o guardou numa garagem da Avenida de Rodrigues de Freitas.

Em 1949, os seus herdeiros decidiram oferecer a viatura ao Automóvel Clube de Portugal com a condição de que esta não sairia da cidade do Porto. Aqui se manteve até, pelo menos, há cinco anos, altura em que esteve exposto no Museu dos Transportes e Comunicações, no edifício da Alfândega, numa mostra intitulada “O Automóvel no Espaço e no Tempo”. A VIVA! sabe que, em junho de 2019, o Panhard & Levassor se encontrava no Museu dos Coches, em Lisboa, onde foi restaurado. Por cortesia do atual proprietário, o Automóvel Clube de Portugal Clássicos, lá deveria permanecer até ao início de 2020, regressando, depois, ao Porto.

Fotos: Pedro Beltrão

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