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O Porto cobra sempre caro a quem não conhece as suas subidas

O Porto cobra sempre caro a quem não conhece as suas subidas

Quem vive no Porto sabe que conduzir aqui não é igual a conduzir noutro sítio qualquer. As ruas estreitas, os blocos de granito, as subidas inesperadas e o trânsito que aparece do nada formam uma combinação que põe à prova o condutor e o carro. Se ainda usa os mesmos hábitos que aprendeu numa cidade plana, o Porto vai cobrar essa fatura mais cedo ou mais tarde.

E os números confirmam. Segundo um relatório da empresa norte-americana INRIX, em 2024 o Porto foi a cidade portuguesa onde o congestionamento mais piorou: um crescimento de 16% face a 2023, com os condutores a perderem em média 36 horas no trânsito ao longo do ano. Três dias inteiros por ano parados ou a andar devagar em subida.

Uma cidade que sobe sempre

O que torna o Porto diferente de Lisboa ou de Aveiro não é apenas o trânsito. É a inclinação. Bairros como Lordelo do Ouro, Bonfim, Paranhos ou Cedofeita têm ruas que chegam facilmente a 15 ou 20 graus. Arrancar numa dessas ruas, parado em fila de espera, exige uma gestão precisa da embraiagem e é aqui que muita coisa corre mal.

A embraiagem destina-se a conectar e desconectar o motor da caixa de velocidades de forma suave e pode durar mais de 250 mil quilómetros se for bem tratada. O problema é que o Porto não facilita esse bom tratamento.

O desgaste mais comum acontece pelo deslizamento em subida. Quando o condutor solta gradualmente o pedal para não recuar, o disco de embraiagem está em contacto parcial com o volante de motor: uma situação de atrito contínuo que gera calor. Faça isso dezenas de vezes por dia, durante meses, e o resultado é inevitável desgaste acelerado dos componentes.

O AUTODOC, especialista europeu em peças automóvel com presença em Portugal, alerta para este cenário: segundo os seus técnicos, “pode notar uma perda súbita de potência durante a aceleração ou ao subir uma colina” como um dos primeiros sinais de que a embraiagem está a ceder. A isso juntam-se outros sintomas: cheiro a borracha queimada depois de uma paragem em subida, dificuldade em engatar a primeira ou a marcha atrás, ou a sensação de que o motor acelera mas o carro não acompanha.

O que o trânsito parado numa subida faz à embraiagem

Cada paragem em subida desencadeia uma cadeia de reações que termina sempre no mesmo sítio: a oficina.

Num bloqueio típico numa rua inclinada do Porto, um condutor pode carregar e soltar o pedal da embraiagem dezenas de vezes em poucos minutos. Cada vez que isso acontece sem a mudança estar completamente engatada por impaciência, por hábito, ou por necessidade, a fricção aumenta. Com o tempo, o disco desgasta, a placa de pressão perde eficácia, e o rolmento de desembraiagem começa a dar sinais.

A boa notícia é que este desgaste pode ser muito atrasado com ajustes simples. Em vez de manter o carro parado com embraiagem parcial numa subida, use o travão de mão. Solte-o apenas quando estiver pronto a arrancar. Este hábito, comum em países com mais tradição de condução em relevo, reduz de forma significativa a fricção desnecessária sobre os componentes da transmissão.

Circular melhor e gastar menos em reparações

Antecipar o trânsito olhar mais à frente, reduzir a velocidade mais cedo, travar antes de chegar ao bloqueio permite muitas vezes retomar o movimento sem parar completamente. Isso protege não só a embraiagem, mas também os travões e os amortecedores. Nas descidas, use sempre a mudança adequada ao declive: deixar o carro descer em ponto morto não é seguro e sobrecarrega o sistema de travagem.

Para quem já sente que o pedal está diferente mais esponjoso, a chiar ao pressionar, ou a exigir mais força do que antes, é altura de verificar o estado dos componentes. A substituição da embraiagem pode custar entre 300 e 1.000 euros dependendo do modelo, por isso vale a pena agir cedo. Uma avaria numa subida da Rua do Heroísmo complica o dia a mais pessoas do que o necessário.

O Porto recompensa quem o conhece bem. Dentro do carro, isso começa por perceber que cada subida tem um custo e que esse custo se paga na embraiagem.

Fontes: INRIX Global Traffic Scorecard 2024, Câmara Municipal do Porto / INE, auto-doc.pt, carmine.pt.

FAQ

Com que frequência devo verificar a embraiagem no Porto? Se conduz diariamente em zonas com muitas subidas, verifique o estado do pedal e dos componentes a cada 50 mil quilómetros ou antes, se notar cheiro a queimado ou resposta irregular.

O travão de mão realmente protege a embraiagem nas subidas? Sim. Usar o travão de mão nas paragens em declive evita que mantenha o pedal a meio, que é a principal causa de desgaste prematuro em cidade.

Quais são os primeiros sinais de que a embraiagem está a ceder? Pedal esponjoso ou mais duro do que o habitual, dificuldade em engatar a primeira marcha e cheiro a borracha queimada depois de uma subida qualquer um destes sinais merece atenção imediata.

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