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Música de José Afonso e Vinicius de Moraes inspira concerto

Música de José Afonso e Vinicius de Moraes inspira concerto

O espetáculo “Estrada Branca”, que se estreia esta sexta-feira no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto, junta o universo musical de José Afonso ao do brasileiro Vinicius de Moraes, com novos arranjos e cantado a duas vozes.

O português José Pedro Gil junta-se à brasileira Mônica Salmaso para darem voz a 25 temas de Afonso (1929-1987) e de Moraes (1913-1980), dois mundos criativos “aparentemente incompatíveis”, mas que “produziram em conjunto sob a égide da mesma língua”, explicou o cantor na quinta-feira, no final de um ensaio aberto à imprensa.
O álbum “Outro Tempo, José Afonso”, lançado em 2015, foi uma primeira abordagem ao “José Afonso lírico” de José Pedro, juntamente com um dos diretores musicais, Emanuel de Andrade.

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Uma nova viagem pelo trabalho de José Afonso
O cantor procurou, em nova viagem pelo trabalho de José Afonso, contribuir para o “lado menos conhecido” do artista, que ficou muito associado a um “contacto demasiado histórico-político e menos artístico”, devido aos temas de intervenção e de conotação política.
De fora da seleção, que inclui temas como “Canção de embalar”, do português, ou “Estrada Branca”, do brasileiro, ficaram os “mais conhecidos” dos dois artistas, explicou o poeta Carlos Tê, que assumiu a dramaturgia do espetáculo, em que quis “desviar o foco para as coisas mais obscuras, que tiveram pouco público, e dar-lhes nova luz”.

“Os dois não tão distantes quanto poderia parecer”
Por seu lado, Mônica apresentou, em 2014, um concerto dedicado ao 100.º aniversário do nascimento do autor brasileiro, além de ter colaborado em três faixas de “Outro Tempo, José Afonso”.
Para a cantora, segundo a Lusa,  os dois não são “tão distantes quanto poderia parecer”, e o tratamento que a equipa de “Estrada Branca” deu às canções é prova disso, apontou, uma vez que foi uma forma de “ampliar” os trabalhos que os dois ‘lados’ tinham feito, com o fadista e um dos impulsionadores da bossa nova, ainda que Mônica lembre a “produção imensa” em vários géneros musicais e lamente que “a música do Vinicius tenha ficado congelada” no estilo que ajudou a fundar.
“O que aqui acontece é a junção das duas coisas, esse processo foi muito natural. A ‘Maria Moita’ poderia ter sido feita pelo Zeca, não vejo uma distância muito grande. Essa é também uma propriedade da música, um lugar generoso de encontros. A música enriquece sempre com as diferenças”, acrescentou.
O contraste entre os dois universos criativos foi, de resto, um ‘motor’ para o trabalho da equipa, há nove meses a trabalhar em “Estrada Branca”, onde aliam o “muito de comum” dos dois povos, que partilham a mesma língua, às diferenças temporais entre os dois músicos, que nasceram com 13 anos de diferença, e das circunstâncias sociais e políticas em que se inseriam.
“O corpo central da obra do Vinicius, com as suas inúmeras parcerias, acontece num Brasil solar, em termos de prosperidade e de grande crença e otimismo, ao passo que cá, em Portugal, sempre houve um lado sombrio, e é sobre esse lado sombrio que grande parte da obra de Zeca Afonso é construída”, reforçou Tê.
Para o poeta, a junção do cancioneiro dos dois autores, considerados nomes incontornáveis da música de língua portuguesa, seria “um bocado impossível”, por serem “incompatíveis”.
“Depois, começámos a juntar as ideias e as peças até fazermos um ‘puzzle’ que faça sentido. Eu próprio fiquei surpreendido, achei que não ia dar”, confessou.

No palco: “Uma estrada e um espaço comum”
No palco, colocado no claustro nobre do Mosteiro de São Bento da Vitória, e com dispositivo cénico de Manuel Aires Mateus, que denuncia “uma estrada e um espaço comum”, apontou José Pedro, estarão os dois cantores e os três diretores musicais do espetáculo, Nelson Ayres (piano e acordeão), Teco Cardoso (flauta e saxofone), Emanuel de Andrade (piano), além de um quarteto de cordas composto por Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Nuno Abreu.
O concerto, produzido pela 3H Produções Culturais, com o apoio do Teatro Nacional São João, pode ser visto esta sexta-feira e no sábado, pelas 21h, antes de passar pelo Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, a 30 de maio, e pelo Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, a 3 de junho.

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