O arquiteto Sérgio Fernandez morreu aos 89 anos, deixando um legado marcante na arquitetura portuguesa e no ensino, ligado à Universidade do Porto, à ESBAP e à FAUP.
Professor Emérito da Universidade do Porto, foi uma figura discreta, mas profundamente influente, reconhecida pela generosidade, pela exigência intelectual e pela forma como marcou várias gerações de arquitetos.
Uma vida dedicada à arquitetura e ao ensino
Nascido no Porto em 1937, Sérgio Fernandez formou-se na ESBAP e participou ainda jovem, em 1959, no Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, em Otterlo, sinal de uma ligação precoce ao debate arquitetónico internacional.
Desenvolveu uma longa carreira académica, primeiro na ESBAP e depois na FAUP, onde integrou órgãos de gestão e o Conselho Científico, tendo-se jubilado em 2006. Em 2008, foi distinguido com o título de Professor Emérito.
Ao longo do seu percurso, lecionou também em várias escolas internacionais e dedicou-se à preservação da memória da chamada Escola do Porto, coordenando a organização de arquivos e património pedagógico.
Arquitetura como diálogo e comunidade
A sua prática arquitetónica ficou marcada pelo trabalho em coautoria e por uma abordagem centrada na relação entre espaço, comunidade e território.
Entre os projetos mais relevantes destacam-se intervenções como a reabilitação do Cinema Batalha, do Teatro Constantino Nery, do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha ou da Escola Secundária Alexandre Herculano.
Participou também no processo SAAL e manteve uma reflexão contínua sobre a relação entre arquitetura e vida coletiva, iniciada ainda nos estudos sobre habitação rural em Rio de Onor.
Em 1985, publicou “Percurso da Arquitectura Portuguesa 1930-1974”, uma obra de referência para a história da arquitetura em Portugal.
“Uma figura maior” da Universidade
O reitor da Universidade do Porto, António de Sousa Pereira, recorda-o como “uma figura maior da escola de arquitetura” e uma referência incontornável no pensamento e na prática arquitetónica.
Ao longo de décadas, destacou-se pela capacidade de ensinar através da partilha, da proximidade com os alunos e de uma visão humanista da arquitetura.
Última homenagem
O velório decorre esta quinta-feira, 26 de março, no Tanatório de Matosinhos, entre as 18h00 e as 23h00. A cremação está marcada para sexta-feira, entre as 15h30 e as 16h45.
Com a sua morte, desaparece uma das figuras mais influentes da arquitetura portuguesa contemporânea, cujo legado continuará a marcar a identidade da Escola do Porto e o pensamento arquitetónico nacional.