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Marta Andrino: “A recetividade tem sido ótima em relação à peça. Ir ao Porto tem sempre um calor diferente”

Marta Andrino:

É já esta quinta-feira, dia 14 de maio, que estreia no Coliseu do Porto a peça de teatro musical “Sr. Engenheiro”, uma comédia em jeito de sátira sobre a figura de José Sócrates. O espetáculo vai estar em cena até domingo e os últimos bilhetes podem ser comprados aqui.

Na antecâmara de mais uma grande estreia no Coliseu, a VIVA esteve à conversa com Marta Andrino, que faz parte do elenco de “Sr. Engenheiro: Alegadamente um Musical”. Foi possível falar sobre a peça, as reações do público à mesma e o percurso da atriz no mundo artístico.

“Sr. Engenheiro: Alegadamente um Musical” é uma sátira política com música ao vivo, inspirada em factos públicos. Como foi receber o convite para entrar neste projeto e como tem sido fazer parte?

Recebi o convite para este projeto com alguma surpresa, sobretudo pelo desafio que ele representava. Mas logo na primeira leitura foi muito claro que havia ali um tom muito particular, e foi surpreendente perceber como o encontrámos quase de imediato. Além disso, fazer parte de um grupo tão especial torna todo o processo único.

A peça parte de um terreno muito específico: o universo processual e mediático de José Sócrates. É mais desafiante construir uma personagem dentro de uma história que tanta gente já conhece?

Não posso dizer que seja mais fácil, mas o facto de estarmos a contar uma história que toda a gente conhece, mas de forma ampliada, como se fosse vista à lupa e com sátira à mistura, traz um desafio muito particular. O nosso trabalho passa por encontrar esses pontos de ligação em que o público está a ouvir e, ao mesmo tempo, a reconhecer exatamente do que estamos a falar. É um universo muito específico, mas quando essa ligação acontece, a história torna-se, acredito eu, ainda mais caricata, como acontecia na revista à portuguesa. No fundo, este é um espetáculo muito português.

O espetáculo esteve em Lisboa, vai agora chegar ao Porto. Como tem sentido a recetividade do público à peça e à sua personagem? Alguma surpresa?

O público estava muito curioso em relação a este espetáculo, sobretudo para perceber de que forma é que íamos dar a volta a um tema tão presente e conhecido. A recetividade tem sido ótima em relação à peça. Em relação à minha personagem a surpresa foi engraçada: quando sou abordada, as pessoas replicam o meu “gancho” do espetáculo. As várias namoradas que eu interpreto não ouviram nada, não sabem de nada… e todas dizem “la-la-la-la-la-la-la”.

Diz-se muito, no meio artístico, que atuar no Porto é sempre diferente. Sente esse “calor” sempre que atua na Invicta? Alguma diferença, face a outros pontos do país?

Sem dúvida que ir ao Porto tem sempre um calor diferente. Para qualquer artista, há um entusiasmo acrescido, primeiro por podermos levar o espetáculo fora de Lisboa. E depois o público do Porto, recebe-nos com uma energia muito própria: muito entusiasmo, muita excitação, muitos gritos e aplausos. Isso faz-nos vibrar em palco e sentirmo-nos profundamente gratos por podermos levar o espetáculo mais longe. É arrepiante.

O Coliseu do Porto é uma das maiores salas de espetáculos do país. Mesmo com tanta experiência, ainda há aquele “frio na barriga” de saber que vai pisar uma sala desta dimensão?

O Coliseu do Porto é uma sala impactante. E, nos últimos anos, tenho passado por lá com alguma regularidade: estive com As 50 Sombras, Simone – o Musical, o musical sobre Fátima, Os Monólogos da Vagina e agora com Sr. Engenheiro. Gosto muito de ir a esta sala, adoro o facto de os camarins serem tão próximos do palco. Já fui muito feliz no Coliseu, por isso é um lugar ao qual quero sempre voltar.

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A Marta faz televisão, teatro, tendo já participado em vários projetos. Qual a maior diferença que sente do pequeno ecrã para o teatro?

A maior diferença é a reação imediata. No teatro, sentimos tudo no momento, desde a energia da plateia até às pessoas que nos esperam no final. A reação é muito espontânea, direta, e faz-nos vibrar. É arrebatador ouvir os aplausos, os gritos, perceber o impacto do nosso trabalho ali, naquele instante. Na televisão, há um distanciamento maior: entre o dia em que gravamos, a edição e a forma como o público recebe, passa tempo. São, de facto, universos muito diferentes.

Entre os inúmeros papéis que já desempenhou, há algum tipo de papel que ainda não fez e gostasse de explorar?

Gostava muito de representar o papel de mãe na ficção. É algo que vivo todos os dias na minha vida pessoal, mas tenho muita curiosidade em perceber como se constroem esses laços em cena. Que tipo de mãe seria essa personagem, que ideais teria diferentes das meus, como é viver esse papel num contexto ficcionado? Estou curiosa em explorar.

É mais difícil fazer rir ou fazer chorar, enquanto atriz?

Acredito que seja mais difícil fazer rir. O humor exige uma precisão muito grande, no texto, na intenção, na inflexão, no tempo certo. Tudo tem de estar afinado para resultar. Já fazer chorar, talvez por ser uma pessoa muitoooo sensível, sinto que é um “botão” mais fácil de ligar e desligar.

A Marta estudou teatro no Brasil. Sente que essa experiência lhe trouxe algo diferente?

Na minha formação, sempre procurei beber de várias fontes, diferentes formas de abordar o teatro, linguagens e formatos. Acho que é precisamente essa mistura que constrói a atriz que sou hoje. Ter ido ao Brasil foi mais um momento muito rico do meu percurso, que guardo com grande carinho. Mas diria que a maior diferença acabou por ser a experiência pessoal de viver numa realidade tão distinta da nossa. Em termos de formação, sinto que tudo acaba por vir do mesmo lugar, a base é universal.

Cerca de vinte anos depois de “Aqui Não Há Quem Viva”, o que diria à Marta de 2006?

Que vale a pena. Que ser a pessoa que és e manter a tua personalidade vai valer a pena.

Para além de atriz, a Marta também se desdobra por outros projetos. Um deles é a Marcat. Como o descreveria?

Gosto muito de criar projetos do zero e de ter algo que ocupe o meu tempo fora dos ecrãs e do teatro. A Marcat nasceu na pandemia, criada por mim e pela minha cunhada, Catarina. Já teve várias versões, mas neste momento é uma marca focada em teatros de sombras, com diferentes temas. É uma forma de juntar duas coisas que adoro: os trabalhos manuais e o universo do teatro, que é a minha vida.

Para terminar: “Devo ir ao Coliseu do Porto ver ‘Sr. Engenheiro: Alegadamente um Musical’, porque…”

É um espetáculo que fez história ao contar com humor e música, a história de um português.

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