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Maioria dos portugueses lê pouco, revela estudo

Maioria dos portugueses lê pouco, revela estudo

Longe vai o tempo em que os portugueses tinham hábitos assíduos de leitura. A conclusão é de um estudo, realizado nos últimos três meses de 2020, pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), que revelou que, nos 12 meses anteriores ao inquérito, “61% dos portugueses não leram um único livro em papel” e que, dos 39% que afirmavam ter lido, “a maioria leu pouco”.

De acordo com os dados revelados, o universo de quem leu constitui-se maioritariamente por pequenos leitores: 27% dos inquiridos assegurou ter lido entre 1 e 5 livros impressos e 7% entre 6 e 20 livros, enquanto apenas 1% afirmou ler mais do que duas dezenas de livros no ano.

leitura

Os resultados em causa revelam, de acordo com os investigadores, uma diminuição dos hábitos de leitura dos portugueses, quando comparados com 2007, ano em que se realizou um “Inquérito à Leitura”, que concluiu que 55% dos inquiridos liam livros impressos.

Os jovens portugueses são aqueles que, segundo o estudo atual, detém mais hábitos de leitura de livros impressos, com 44% dos leitores com idades entre os 15 e os 24 anos a fazê-lo. Por sua vez, 46% dos leitores têm entre os 25 e os 34 anos, 44% entre 35 e 44 anos, 33% entre 45 e 54 anos, 31% entre 55 a 64 anos e 22% idade igual ou superior a 65.

As escolhas, por sua vez, “fortemente influenciadas pelas redes sociais”, variam entre o romance (46%), o mais procurado entre os inquiridos, História (24%) e Teatro (2%).

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Já no que respeita ao local mais apreciado pelos portugueses para ler destaca-se a habitação, com 98% das preferências, seguida do local de trabalho (8%), cafés (5%), transportes (4%) e bibliotecas (3%).

A investigação revelou ainda que existe uma “relação entre a educação e os hábitos de leitura”, uma vez que, na sua infância e adolescência, a maioria dos inquiridos “não beneficiou de estímulos à leitura gerados em contexto familiar”.

A grande maioria revelou, inclusive, que os pais nunca os levaram a uma livraria (71%), a uma feira do livro (75%) ou a uma biblioteca (77%).

“Os mais jovens e aqueles cujos pais têm ou tinham qualificações académicas superiores reconhecem mais frequentemente esse apoio familiar, dados que denunciam a persistência de assimetrias sociais na criação de hábitos de leitura”, concluiu ainda.

O estudo foi coordenado por José Machado Pais, Pedro Magalhães e Miguel Lobo Antunes, numa equipa ainda composta por Emanuel Cameira, Jorge Rodrigues da Silva, Rui Telmo Gomes, Teresa Duarte Martinho, Tiago Lapa e Vera Borges.

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