Em tempos, chegou a ser o Abrigo do Pequeninos, mas agora ganhou uma nova vida. Depois de ter estado encerrado durante mais de 10 anos, o espaço em questão reabriu na quarta-feira, dia 14 de janeiro, com outra função ligada ao património da cidade.
Este edifício nas Fontainhas passa a acolher as Reservas do Museu do Porto, concentrando cerca de 65 mil peças do acervo municipal, bem como áreas técnicas destinadas à conservação e ao restauro (via Porto Canal).
Note-se que a empreitada de requalificação ficou concluída no final de 2024 e, desde então, a Câmara do Porto tem vindo a transferir gradualmente para o local as equipas do Departamento de Cultura e Património, assim como as coleções que ficarão ali salvaguardadas.
Na inauguração do espaço, o vereador da Cultura, Jorge Sobrado, sublinhou que a ambição da autarquia vai além da simples guarda de objetos. “Queremos que esta seja uma casa de estudo, que seja uma casa de cuidado do património, mas também que seja uma de pessoas”, afirmou, defendendo um equipamento vivo e aberto à cidade.
Nesse sentido, deixou ainda um apelo aos serviços municipais para que o espaço não funcione apenas como um armazém. “Eu sei que isto é uma dor de cabeça, mas no início devemos manifestar essa generosidade com a nossa vizinhança e com os portuenses. Para além das visitas que nós temos programadas, [devemos] estar abertos a realizar visitas a pedido, para quem quer conhecer este guarda-joias extraordinário, um guarda-joias vivo, humano, das nossas coleções e do Museu do Porto”, declarou.
Ao longo deste ano, estão já previstas várias iniciativas no novo equipamento, incluindo oficinas e momentos de conversa. A intervenção, avaliada em cerca de um milhão de euros, foi executada pela empresa municipal Domus Social e permitiu criar nove salas de reserva adequadas a diferentes tipologias de peças, como cerâmica e têxteis.
O edifício dispõe ainda de uma casa-forte para obras mais sensíveis, laboratório de conservação e restauro, estúdio de fotografia, sala de desinfestação, área de materiais de embalamento, biblioteca de apoio e espaços de reunião.
Entre os núcleos que passam agora a estar ali guardados encontram-se a coleção do pintor e colecionador Vitorino Ribeiro, doada ao município na década de 1950, parte do espólio de Eugénio de Andrade, a coleção Marta Ortigão Sampaio e um conjunto de peças provenientes do antigo Museu do Romântico.
O processo que levou à reabilitação do edifício começou em novembro de 2020, com o lançamento do concurso público ainda durante o mandato de Rui Moreira. Apesar de a abertura ter sido inicialmente apontada para 2023, o calendário acabou por sofrer vários adiamentos.
(Foto: João Pedro Rocha – via CM Porto)