A construtora portuguesa é responsável pelas obras de reabilitação que, para além da loja e da galeria já abertas ao público, prevê ainda a renovação dos pisos superiores do edifício. Estes serão destinados a habitações de luxo, encontrando-se já em fase de comercialização pela Predibisa, consultora imobiliária com mais de 25 anos de experiência no mercado imobiliário do norte do país.
Após ter sido selecionada para a conceção e construção da fábrica da Leica em Famalião, a Garcia, Garcia volta a merecer a “confiança” da multinacional alemã para a reabilitação do edifício histórico, exemplar ímpar da arquitetura do início do século passado e que serviu de morada ao mítico Café Excelsior.
Recorde-se que, em 2012, a Leica transferiu-se da antiga unidade em que esteve instalada 40 anos para uma outra, construída de raiz, a apenas três quilómetros da antiga fábrica. Em março do ano seguinte, o Presidente da República à data, Aníbal Cavaco Silva, inaugurava o investimento de 22,5 milhões de euros.
Volvidos cerca de três anos, a Leica voltou a apostar em Portugal ao decidir instalar em pleno centro histórico do Porto a sua primeira loja na Península Ibérica e ao confiar a sua construção e comercialização a duas empresas portuguesas.
Um projeto de reabilitação “ambicioso”
A obra arrancou em maio passado, estando prevista a sua conclusão total no final do primeiro semestre deste ano. A inauguração da Leica Store, com cerca de 105 metros quadrados, foi assinalada no primeiro dia de dezembro de 2016, com a inauguração da exposição “Homage in black and white to Porto”, na Galeria integrada na loja, com fotos de Daniel Rodrigues, vencedor do World Press Photo, capturadas com uma Leica M Monochrom.
A Garcia, Garcia assumiu o “ambicioso” projeto de reabilitação integral do edifício na baixa portuense, no qual se destaca a fachada ornamentada e interiores trabalhados e que é composto por cave, rés do chão comercial, três pisos e um piso recuado na cobertura.
A Leica Store ocupa cave, rés do chão e primeiro piso, integrando uma galeria de exposições, uma loja onde é possível encontrar os equipamentos fotográficos e óticos da lendária marca que, nos últimos 100 anos, eternizou para a posterioridade alguns dos momentos mais importantes da História mundial, e um pequeno espaço de café a evocar o período áureo do Excelsior, local de encontro de alguns dos maiores pensadores portuenses da primeira metade do século passado. Por sua vez, o piso 1 é ocupado pela Academia Leica, onde serão desenvolvidos workshops e formações de fotografia.
Nos pisos superiores estão a ser construídos apartamentos de luxo, cuja comercialização foi entregue à Predibisa, cuja “parceria com a Garcia, Garcia já se estendeu a outros projetos de multinacionais em território nacional, como BorgWarner ou WEG”.
Assim, e de modo a respeitar a história e arquitetura do edifício, a Garcia delineou um plano de execução, com recurso às “mais modernas técnicas da construção e reabilitação”, que permitiu a demolição dos pisos superiores, sem danificar o teto e as paredes da loja, ricas em molduras, na sua maioria ainda originais.
No piso comercial, o restauro das decorações interiores em gesso (tetos e paredes), finamente trabalhadas, e a manutenção dos aspetos mais emblemáticos do antigo Café Excelsior, foram igualmente desafios superados nesta reabilitação. A fachada foi preservada, sendo restauradas as serralharias e caixilharias, de modo a manter o traço histórico do prédio.
Na loja, a preservação do património arquitetónico existente nos seus elementos românticos e decorativos contrastam com o mobiliário moderno e os ecrãs LED de exposição da Leica.
Habitação de “luxo” na baixa do Porto
O projeto, que adapta os pisos superiores do edifício ao segmento residencial, agrega habitações de luxo, com áreas de 145m2 e tipologia T3, contribuindo para voltar a povoar a baixa do Porto de famílias.
Ao nível da arquitetura, os novos apartamentos conciliam a preservação de elementos históricos do edifício, como a “fachada e os vãos, com a modernidade conferida pelo uso de soalho corrido e caixilhos negros e brancos de madeira”.
Este conceito associado ao aluguer de apartamentos de longa duração, tipologia T3, permitirá também a fixação de famílias na Baixa”, afirma João Leite Castro, responsável da Predibisa pelo negócio.