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Jorge Pinto: “Em qualquer eleição ganha-se muito mais do que se perde, sempre”

Jorge Pinto:

A VIVA esteve à conversa com Jorge Pinto. Tem 38 anos, nasceu em Amarante, esteve na origem da fundação do partido Livre e foi candidato à presidência da República. Pode ler a entrevista na íntegra, em baixo.

O Jorge Pinto cresceu em Amarante e representa o Porto na Assembleia da República, além de representar naturalmente os portugueses. Como é que esses lugares, por onde passou ao longo da sua vida, moldaram aquilo que é hoje?

JP: As nossas vivências moldam sempre aquilo que somos, e também aquilo que somos politicamente. O facto de vir de Amarante e ser deputado pelo distrito do Porto dá-me uma visão múltipla. O Porto é o segundo distrito em número de deputados e população, mas a realidade de Amarante é muito diferente da do Porto cidade ou de Matosinhos, são cerca de 60 quilómetros que separam quase dois países. Em Amarante estamos numa das zonas mais pobres em rendimento per capita, enquanto o Porto urbano é uma das mais ricas. Essa dupla vivência, juntamente com os anos em que vivi no Porto como estudante universitário e também no estrangeiro, dá-me um conhecimento das diferentes realidades do país que considero muito positivo. Crescer num território mais rural, como Amarante, marcou-me muito e continua a marcar a minha personalidade.

Apesar de tudo, Amarante é uma periferia e Portugal é um país bastante centralizado. Na sua opinião, qual é a grande prioridade política atualmente para tornar as periferias mais apelativas? O que é possível fazer de forma mais urgente?

JP: Acho que há um esforço nacional essencial e urgente: a regionalização. Falei muito disso durante a campanha presidencial, primeiro porque é um imperativo constitucional há quase 50 anos, mas também porque é bom para o país em várias áreas: saúde, habitação e resposta a situações de urgência, como vimos recentemente com as tempestades. Portugal é uma exceção na Europa, já que a maioria dos países tem regiões administrativas. Com a regionalização, seria mais fácil distribuir investimentos, porque as autarquias estão bastante limitadas em termos de recursos e competências. Entre o nível local e o nacional, faria sentido uma dimensão intermédia, democrática, com representantes eleitos pelos cidadãos.

Já demos entrada no Parlamento a um projeto de resolução para avançar com este processo, propondo a criação da primeira Assembleia Cidadã do país, com 100 cidadãos escolhidos por sorteio, para discutir o modelo de regionalização. Deste processo surgiriam as duas perguntas obrigatórias para o referendo. O objetivo é que o país volte a discutir este tema de forma estruturada e não apenas em momentos de crise.

E é importante sublinhar: a regionalização não é boa apenas para as periferias, é boa para todo o país: para o Porto, para Lisboa e para o conjunto do território.

O Jorge falou na importância de envolver as pessoas e de convocar os cidadãos para o debate. Nos debates presidenciais, focou muito o discurso nas pessoas.. Acha que esse foco ainda falta na política atual? 

JP: Não, eu acho que também existe essa preocupação. Não quero alimentar o discurso populista de que não nos preocupamos com os cidadãos. Acho que há um bocadinho de tudo. Aquilo que me preocupa é o afastamento entre os partidos políticos e os cidadãos. E que, na verdade, até é pior do que isso: é o afastamento da cidadania portuguesa de tudo aquilo que é uma ação mais comunitária.

Nós, e eu já disse isso muitas vezes, em Portugal temos os mais baixos índices de participação cívica. Somos dos países onde as pessoas participam menos na sua vida comunitária, seja na associação de moradores, seja numa cooperativa, seja numa associação de qualquer tipo. Isso é problemático para a nossa democracia, porque depois, em paralelo, somos dos países onde há mais desconfiança interpessoal… desconfiamos mais uns dos outros.

E acredito que são os próprios cidadãos que devem também ser mais ativos e participar mais naquilo que é a sua vida política. Participar mais em sindicatos, em associações, e com isso ter também mais capacidade de influenciar o debate político. Porque a política é muito mais do que os partidos políticos. E a cidadania tem também ao seu dispor ferramentas para participar e influenciar o debate político: sejam moções, sejam petições que chegam ao Parlamento, seja via associações, via sindicatos ou outra entidade coletiva.

Portanto, é muito importante que este equilíbrio seja assegurado das duas maneiras: que os representantes políticos não esqueçam a cidadania e que a cidadania também não se esqueça que tem, às vezes, muito mais poder do que aquele que acredita que tem.

No seu caso, a participação política é uma missão ou uma consequência do seu percurso?

É um bocado uma consequência e uma missão. Ser um representante eleito é sempre uma missão de enormíssima responsabilidade e de enormíssima honra. Eu, que só estou aqui há dois anos, não há dia em que não me lembre, na Assembleia da República, e que diga a mim mesmo: bem, que privilégio e que honra é poder estar aqui a representar os meus concidadãos.

Depois, a consequência é, no meu caso, de muitos anos de ativismo e muitos anos de militância de base. Primeiro no Partido Socialista, não é segredo, e depois querendo e tendo ajudado a fundar um novo partido, que é o caso do LIVRE, e tendo militado 10 anos no partido antes de ser eleito.

E nunca me senti a fazer menos política nessa altura do que estou a fazer agora. Como dizia, eu acho que a política faz-se seja a ser militante de base, seja nas associações, no ativismo, seja enquanto representante eleito. Tudo isso tem o seu papel e tudo isso tem um papel muito importante, que na verdade encaixa uns nos outros.

Porque se só tivéssemos uma democracia de partidos políticos, uma partidocracia, isso não era bom. Mas também se só tivéssemos uma democracia direta, sem haver representantes eleitos, eu também não acho que isso seja um modelo ideal.

E, portanto, é nesse equilíbrio entre missão e consequência, embora eu ache que as duas coisas estão mais sobrepostas do que muitas vezes se pensa, que se faz também a vida política e que se faz a minha. Porque eu acho, desde que me lembro, pelo menos nos meus 10 ou 11 anos, que estou no ativismo cidadão por alguma causa. Portanto, é certamente também uma consequência de tudo isso.

A experiência a viver fora de Portugal moldou a sua forma de fazer política?

JP: Também. Primeiro porque nos permite ver o nosso próprio país com outros olhos, naquilo que tem de bom, naquilo que tem de mal. E depois porque também nos permite ver aquilo que os outros países têm de bom e têm de mal.

E sobretudo, naquilo que têm de bom, perceber que não há nada específico naqueles países que não possa ser replicado ou até melhorado no nosso. E não é por acaso que nós, no LIVRE, somos muito ambiciosos com Portugal. Somos ambiciosos, porque nós amamos o nosso país e percebemos que ele pode ser muito mais do que aquilo que é.

E depois chamam-nos utópicos, chamam-nos sonhadores. Pois muito bem, se calhar somos sonhadores, mas sonhadores porque sabemos que Portugal tem condições para ser muito mais do que aquilo que é, em muitas áreas.

Mas certamente numa que nos é muito clara, que é a transição energética. E estamos a gravar esta entrevista num dia em que discutimos, por iniciativa do LIVRE, aqui na Assembleia da República, as comunidades de energia renovável, que deviam estar em muito maior número no nosso país e ainda não estão.

E nós perguntamos: porquê? Porque é que o Estado, as cidades, as próprias freguesias não apoiam estas comunidades? Estamos a falar de transição energética, estamos a falar de reduzir os custos da fatura energética das pessoas e estamos a falar da construção deste espírito de comunidade de que falávamos há pouco.

Essas três dinâmicas fazem com que a justiça ambiental e a justiça social andem de mão dada, e é neste futuro que nós acreditamos.

Essa é uma das principais batalhas do LIVRE neste momento?

JP: Não, há muitas. Esta é importante por muitas razões. Porque ali é difícil termos uma proposta que faça a quadratura do círculo em muitos temas.

Por norma, uma proposta pode ser boa num campo, depois enfraquece noutro. E no que diz respeito à transição energética isso muitas vezes acontece. Sabemos que ter mais baterias ou mais painéis fotovoltaicos pode exigir mais metais raros, que têm de ser extraídos de algum lado, e podem ser extraídos de zonas protegidas, como vemos com o caso do lítio no Barroso.

O caso das comunidades de energia renovável é um paradigma de um caso que é fácil de explicar às pessoas, que é bom para as pessoas, faz com que poupem dinheiro, e ao mesmo tempo é bom para o planeta.

E há exemplos. Já existem algumas comunidades de energia renovável. Há um exemplo em Lisboa, numa freguesia, que junta a junta de freguesia, cidadãos e também comércios locais. Isto fomenta uma ideia de comunidade, enquanto se poupa na fatura energética e se reduz a dependência de outras fontes de energia, que são voláteis.

O que nós queremos é antecipar isto e não esperar que os preços explodam para que a transição energética aconteça.

Houve algo que tenha visto no estrangeiro que gostasse de replicar em Portugal?

JP: Sim, há sempre coisas. Dou um exemplo muito prático: quando cheguei a Itália, ainda era militante do Partido Socialista, e vi uma campanha em Milão onde organizaram uma eleição primária em toda a esquerda para escolher o candidato. E foi dessa eleição primária que saiu um candidato que nem sequer era do principal partido e que ganhou as eleições.

Nesse momento disse: aquilo que deveríamos ter em Portugal era um partido que fizesse eleições primárias, coisa que o LIVRE faz desde o seu primeiro dia.

Depois, para o país, há muitas coisas. A ideia das cooperativas, por exemplo. Na Bélgica, em Bruxelas, eu era membro de muitas cooperativas, de operadores telefónicos, serviços de cloud, um supermercado, uma cervejaria.

Há um espírito cooperativo renovado que tem tentado chegar a Portugal, mas ainda não com a dimensão que deveria. E essa aposta na economia social e solidária é algo que outros países têm com mais investimento do que nós.

Dou um exemplo: em Bruxelas, quando uma cooperativa reunia um determinado montante inicial, havia uma entidade pública que cobria esse mesmo valor. Numa das cooperativas onde estive, conseguiram 150 mil euros e receberam outros 150 mil. Começaram com 300 mil euros, o que faz uma diferença enorme.

É algo que gostaríamos de ver em Portugal, por exemplo em cooperativas de habitação, que fazem muita falta.

O que o desiludiu no Partido Socialista e o que o fez acreditar que o LIVRE era diferente?

JP: O PS é um partido muito amplo, de ideologia muito ampla, digamos assim. Vai de um centrismo muito centrista até uma esquerda mais social-democrata, num espaço ideológico onde eu me situo. Mas havia muitas coisas que me desiludiam.

Estamos a falar ali do período da Troika também, daquilo que eu achava que devia ser a maneira de fazer frente à Troika, mas era sobretudo práticas internas e uma questão até ideológica. Eu achava que fazia falta, no espaço político português, um partido da esquerda, orgulhosamente de esquerda, sem qualquer complexo em relação a isso, mas de uma esquerda desempoeirada e que tivesse na ecologia e no europeísmo os seus grandes pilares.

Eu sou engenheiro do ambiente, sou um ecologista, como eu te dizia, desde os meus 12 anos que estou em associações ambientalistas ou a participar em iniciativas ambientalistas, e achava que fazia falta este espaço, e o LIVRE cumpre perfeitamente isso.

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Os quatro pilares do LIVRE são a esquerda, a Europa, a liberdade e a ecologia. E, portanto, o facto de ter ajudado a cofundar o partido é também por isso, porque eu achava que esse espaço ideológico não estava representado em Portugal até ao surgimento do LIVRE.

E depois, até olhando para as famílias europeias, isso percebe-se: o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista no Parlamento Europeu estão no mesmo grupo, o Partido Socialista está no grupo socialista, e o LIVRE, que não tem deputados europeus, mas que se tivesse estaria no grupo dos Verdes, porque somos membros do Partido Verde Europeu.

Foi candidato às presidenciais de 2026 e teve cerca de 0,7% dos votos. O que é que ganhou e perdeu com essa experiência? Voltaria a candidatar-se?

JP: Em qualquer corrida eleitoral ganha-se muito mais do que se perde, sempre. Até porque foram muito mais as eleições onde eu não fui eleito do que aquelas em que fui eleito. Isso faz parte da democracia.

E é muito bom ver quem, não sendo eleito, marca debates e traz temas para a campanha. No caso das presidenciais, estou com a consciência muito tranquila, porque houve temas que só foram discutidos porque a candidatura que eu representei existiu.

Quem mais falou de regionalização nesta eleição? Praticamente ninguém. Quem mais falou de política ambiental como eu falei? Poucos candidatos.

E um outro tema que vai surgir muito em breve, que foi aquele de que eu mais falei, é o risco de uma revisão constitucional feita apenas pela direita. Tenho a certeza de que esta candidatura serviu para alertar para isso.

Depois, claro, havia dificuldades: eu era o candidato mais novo, fui o último a apresentar candidatura, com muito menos reconhecimento público. E ainda por cima, na última semana, dei liberdade aos eleitores para votarem noutra candidatura.

Mas fico de consciência muito tranquila, e a reação que tenho nas ruas é muito positiva, até de agradecimento pela forma séria e direta como fiz a campanha.

Esse apelo na última semana para votarem noutra candidatura foi uma forma de reforçar a esquerda?

JP: Foi uma mensagem de alguém que estava consciente dos desafios do país. Temos regiões autónomas governadas pela direita, governo de direita, maioria parlamentar de direita, várias cidades governadas pela direita.

Perante isso, achei que seria importante que a primeira figura do Estado pudesse estar à esquerda. Porque é bom para o país haver equilíbrio.

Sabendo isso e olhando para as sondagens, achei importante ser fiel à minha consciência e dizer aos eleitores aquilo que pensava. A carta que escrevi foi isso mesmo.

Eu estou na política e uma coisa que prometi foi nunca falhar à minha consciência. E até hoje tenho conseguido. Essa mensagem foi uma forma de ser fiel àquilo em que acredito.

Para quem não sabe, o Jorge Pinto também é criador de banda desenhada. A criatividade é uma fuga à política ou uma extensão dela?

JP: É um complemento. É um complemento. Até porque há muitas coisas… eu até gostava de escrever uma banda desenhada precisamente sobre a vida parlamentar. Acho que é importante e as pessoas iam gostar de descobrir muitas das coisas que eu próprio descobri, tendo sido eleito. Talvez um dia faça isso.

Eu não acho, nem nunca achei, que a arte, a cultura no seu sentido mais amplo fosse algo que devesse ser compartimentalizado e posto fora das nossas vidas. Eu acho que a arte é parte integrante do nosso dia a dia, da nossa vida e depois naquilo que eu escrevo, mais artístico, também tem muitas coisas publicadas mais ensaísticas, mais da área da filosofia, é um bocadinho também reflexo daquilo que eu sou.

Eu escrevi sobre Amadeu de Sousa Cardoso porque é uma figura minha conterrânea na qual eu me revi muito ao descobrir mais sobre o Amadeu pessoa, até mais do que o Amadeu artista.

E quando escrevi a outra banda desenhada, chamada “Tempo”, fiz questão de que a ação decorresse na cidade de Amarante, no Parque Florestal de Amarante, onde eu, na verdade, tive a ideia para aquela banda desenhada logo com sete ou oito anos. A inquietação que me levou a criar o primeiro livro, trinta anos depois, surgiu daí. Com sete anos.

Quando escrevi um livro sobre a minha avó, também esta ligação à terra, ligação à família. Portanto, eu acho que tudo isto é parte de nós, esta parte familiar de origem, localidade, cultura e política e eu não consigo dissociar essas coisas. Acho que todos nós, enquanto pessoas, temos todas estas dimensões connosco, quer dizer, umas expressam-se mais do que as outras, mas temos sempre isso.

Essa veia interventiva nasce consigo ou foi influenciada pela família?

JP: Também, também. Foi observando e pensei, ok, tenho algo a dizer. Não porque me pedem, mas porque eu quero dizer.

Também porque a minha família é muito politizada, os meus pais fizeram política à escala local, os dois, tenho vários tios também, e em minha casa, no sentido mais amplo, portanto a minha casa dos meus pais, minha casa quando estávamos todos em família — e a minha família é muito grande dos dois lados. Eram sempre temas de política os que se discutiam na mesa, sempre.

E depois, claro, depende do interesse de cada um, mas eu sempre fui muito reivindicativo desde criança e muito desafiador das ordens que recebia e acho que se calhar também por isso é que eu vou fundar um partido chamado LIVRE. Esta ideia de liberdade sempre me foi e é muito cara e eu acho que é, voltando aqui só um pequeno parênteses à política, o grande tema que a esquerda deve ser capaz de voltar a reivindicar para si própria, a ideia de liberdade e de como é que podemos ser livres tanto à escala individual como à escala comunitária.

Remontando a uma ideia que referiu anteriormente: porque é que Portugal é um país com baixa participação cívica?

JP: É uma excelente pergunta e é uma questão à qual eu já pensei muito, não tenho uma resposta clara para te dar.

Na essência já se fez pesquisa sobre isso. Eu acho que há muitas razões. Há razões um bocadinho históricas. O próprio facto de termos tido 48 anos de ditadura no século XX, eu acho que ainda justifica uma parte desta ausência de vontade de participar na vida comunitária.

Depois há uma outra questão que eu também acho que não é irrelevante, mas isto é, em minha opinião, estritamente opinativa, ou seja, não tenho nenhuma pesquisa científica sobre isto. Mas acho que o facto de Portugal ser um dos países da Europa onde mais horas estamos no nosso local de trabalho faz com que as pessoas depois não tenham tanto tempo para participar de outro tipo de atividades.

As pessoas que estão 10, 11, 12 horas fora de casa, entre as deslocações e o tempo que estão no local de trabalho, se calhar ao final do dia querem descansar, não têm tempo para ainda ir ter uma reunião sobre o que quer que seja. Acho que esse ponto é muito importante e que se fala muito pouco dele.

E depois, se calhar, é um bocadinho também porque as próprias associações e sindicatos, o que quer que seja, não respondem ou não têm a abertura suficiente para uma efetiva participação das pessoas.

Se me posso permitir um bocadinho a crítica, porque eu estou em muitas associações, estive em Portugal, estive no estrangeiro, não é raro casos em que alguém que está na liderança de uma associação se acha o dono da associação. E, portanto, tudo que seja uma opinião que seja um bocadinho desafiadora na opinião dessa pessoa é vista com maus olhos, é menosprezada, é menorizada.

Portanto, alguém que chega com todo o sacrifício, que quer participar, e depois não sente que a sua opinião é valorizada ou tida em conta, é normal que depois essa pessoa também se afaste.

E se estas coisas todas juntas no mesmo caldeirão fazem com que haja esse afastamento da participação cívica em Portugal.

O que gostaria que os portugueses soubessem sobre si que a política não mostra?

JP: Eu, por acaso, acho que esta eleição presidencial fez com que eu pudesse expor-me pessoalmente muito. Eu sou uma pessoa muito franca e, se calhar, às vezes, franca demais.

Nas presidenciais, nós tínhamos sempre a mesma equipa de jornalistas a acompanhar a candidatura e, a alguma altura, os jornalistas disseram-me algo como: bem, tu sabes que não precisas de ser tão honesto naquilo que dizes, não é? Porque eu digo exatamente aquilo que penso.

Tudo aquilo que eu digo politicamente, tudo aquilo que eu defendo, é exatamente aquilo que eu sou. Uma pessoa criada e crescida numa cidade relativamente pequena, que viveu no estrangeiro muitos anos, e que quer que todo o seu saber, tempo e capacidade sirva para o bem comum, porque eu acho que é isso que está em causa.

Nós, numa época do egoísmo como aquela em que vivemos, continuar a ter pessoas na política que continuam a dar prioridade ao bem comum, e é isso que a mim move, e que, na verdade, me continua a motivar todos os dias, porque eu também continuo a acordar todos os dias a achar que somos capazes, coletivamente e certamente individualmente também, de dar um contributo para deixar o mundo um lugar melhor do que aquele que encontramos.

Um dia, gostava que dissessem que o Jorge Pinto é/foi uma pessoa que…

JP: Uma pessoa que deu tudo o que sabia e podia para deixar o país um lugar melhor para viver para as próximas gerações.

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