“Foi uma resposta local a um disparate central. Ninguém compreendia, e não compreende, a localização deste pórtico. Em primeiro lugar porque a autoestrada foi construída em cima da estrada nacional”, afirmou o presidente da câmara, Eduardo Vítor Rodrigues.
Em 2010, o Governo decidiu introduzir pórticos de cobrança de portagens em várias das antigas SCUT (sem custos para o utilizador), incluindo a A29 que liga Porto a Aveiro.
Um dos pórticos da A29 foi colocado em Gulpilhares naquela que é a única via municipal de acesso às freguesias mais a sul do concelho de Gaia, motivando vários protestos e levando então muitos automobilistas a desviarem o seu percurso por ruas mais interiores do concelho para evitar o pagamento.
“Foi muito injusto o modelo que aqui foi seguido. Na altura tudo foi permitido”, apontou o autarca, recordando que quando tomou posse, em 2013, deu início a um “processo negocial tranquilo, numa base de diálogo, explicando os factos, fazendo perceber que também não estava em causa nenhuma perda financeira significativa para o concessionário”.
Na campanha para as autárquicas em 2013, o agora presidente da câmara propôs a criação da alternativa viária à antiga SCUT, uma promessa cumprida esta terça-feira, com a inauguração do troço alternativo.
“É uma alternativa paralela à autoestrada que permite que os moradores, fazendo um pequeno desvio para o interior de Gulpilhares, acedam às praias e à zona de habitação sem terem que passar por pórtico”, explicou o autarca à agência Lusa, acrescentando que este desvio retoma um acesso antigo “que tinha ficado obstruído pela própria ocupação da autoestrada”.
As obras representaram um custo global de cerca de 200 mil euros e tiveram início em setembro do ano passado, depois de “um processo de expropriação amigável” e da aquisição de uma parcela de terreno que permitiu a construção da nova via.
“Foi uma solução encontrada para o trânsito local, que é o que nos importa neste momento. É não onerar as pessoas que aqui moram, os moradores da zona de Gulpilhares, Valadares e pessoas que se dirigem para São Félix da Marinha e para Arcozelo”, assinalou Vítor Rodrigues.