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Investigadores do Porto alertam que comunicação sobre segurança alimentar não é eficaz

Investigadores do Porto alertam que comunicação sobre segurança alimentar não é eficaz

A conclusão é de um grupo de investigadores da Escola Superior de Biotecnologia do Porto que, com base num inquérito online realizado a cerca de 100 pessoas sobre mitos alimentares, descobriu que as estratégias de comunicação sobre segurança e higiene alimentar não estão a ser eficazes.

O inquérito, inserido no projeto “SaffeconsumE”, tinha como objetivo principal desvendar se os mitos alimentares dos portugueses e se as ideias preconcebidas eram assentes em pressupostos científicos, e acabou por revelar que, de forma geral, todos os inquiridos apresentaram variados mitos e “crenças populares”.

A investigadora responsável pelo projeto em Portugal, Paula Teixeira, revelou, em declarações à Lusa, que “muitas das mensagens em higiene e segurança alimentar não estão a ser eficazes”, o que acontece não por culpa dos consumidores, mas sim dos comunicadores, uma vez que “a mensagem não está a ser passada de forma convincente”. É por isso necessário “implementar e adotar novas medidas de comunicação”, defende.

Muitas das questões identificadas pela população inquirida acabaram por ser “comuns”, como o ser necessário as cozinheiras terem sempre as mãos limpas, lavar a carne antes de cozinhar ou até o prazo de validade dos iogurtes. No entanto, foram questões como o “mito dos ovos”, o guardar alimentos quentes no frigorífico e, ainda, o facto de os portugueses confiarem “piamente nos seus sentidos”, que provocaram maior “incredibilidade” aos investigadores.

“Algumas pessoas disseram que os ovos que flutuam na água estão estragados.  O ovo pode até não estar estragado, mas regra geral, não se deve comer.  Outras disseram o que, de facto, é mito: que para saber se um ovo é seguro devo verificar se flutua ou não em água. Não podemos verificar isso, apenas em laboratório”, adverte.

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No que diz respeito a guardar alimentos quentes no frigorífico, Paula Teixeira explicou que não é pelo facto de eles serem guardados quentes que se estragam, mas sim porque acabam por demorar mais tempo a arrefecer, dando, assim, “tempo suficiente aos organismos que vão estragar o alimento para crescerem”.

Relativamente ao facto de as pessoas recorrem aos sentidos para detetarem se um alimento está ou não estragado, a responsável referiu que grande parte das bactérias que originam a doença “não estragam nada”, uma vez que “são tão silenciosas” que não é visível qualquer alteração.

A investigadora destaca, por isso, a urgência de se desmistificarem algumas questões e perceber quais são as “barreiras” à implementação de práticas seguras, de forma a ser possível transmitir a mensagem correta à população. Paula Teixeira anunciou, ainda, a preparação de algumas atividades para serem demonstradas em contexto escolar, acreditando que esta pode ser uma forma de levar à alteração de alguns comportamentos.

O estudo desenvolvido pela Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa do Porto, insere-se no projeto europeu ‘SafeconsumE’, uma iniciativa que envolve 11 países e que, num prazo de cinco anos, pretende alterar comportamentos e dotar o consumidor de

ferramentas que permitam implementar melhores práticas de segurança alimentar.

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