A Sé do Porto recebe, no sábado, dia 13 de dezembro, às 18h30, o último espetáculo do ciclo “Pontes Ibéricas: Um Álbum Musical em 4 Concertos”. Esta sessão final será protagonizada pelo organista e investigador Pedro Monteiro, que preparou um percurso musical que vai do século XVI ao XXI, pensado especificamente para os dois órgãos históricos da catedral: o Órgão do Evangelho e o Órgão da Epístola.
Este concerto fecha um programa que, ao longo do ano, uniu investigação, património e criação artística. Note-se que a Sé do Porto mantém dois órgãos de grande relevância para a história musical portuguesa: o Órgão do Evangelho e o Órgão da Epístola.
O Órgão do Evangelho, concluído em 1737 por Simão Fontanes e classificado como Tesouro Nacional, representa plenamente a tradição ibérica dos séculos XVII e XVIII. Caracteriza-se pelos registos partidos, pela clareza polifónica e pelas palhetas horizontais típicas deste período.
Já o Órgão da Epístola, terminado em 1836 por Joaquim António Peres Fontanes, reflete a transição para uma estética mais clássica. Oferece maior amplitude dinâmica e uma expressão melódica mais expansiva.
A primeira metade do concerto, no Órgão do Evangelho, inclui obras de António Carreira, Juan Cabanilles e Aguilera de Heredia, figuras centrais da música ibérica renascentista e barroca. O repertório destaca a escrita imitativa, os registos divididos e a expressividade modal.
Na segunda parte, tocada no Órgão da Epístola, surgem obras de Philip Glass, William Susman, Guy Bovet, além de peças de António Correa Braga e novamente Ligeti. Entre as peças em destaque está a “Batalha de 6.º tom” de Correa Braga, uma referência da escola portuguesa.
Com entrada livre, o concerto final evidencia como diferentes períodos e linguagens podem dialogar quando interpretados em instrumentos de grande impacto sonoro num espaço monumental como a Sé do Porto.
(Foto: via CM Porto)