A cidade do Porto prepara-se para assinalar os 25 anos da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, com um programa especial pensado para 2026. O Município quer recuperar o impulso deixado por esse ano simbólico e transformá-lo numa base ativa para novas ideias, projetos e políticas culturais.
Para o presidente da Câmara do Porto, o legado da Porto 2001 continua bem presente na vida da cidade, tanto na dinâmica cultural como nos processos de regeneração urbana. Pedro Duarte sublinha que a iniciativa “deixou uma semente que perdura no tempo (…) apesar de algumas vontades que existiram de abafar aquilo que de positivo aconteceu”, defendendo que existe claramente “um antes e um depois” desse marco (via CM Porto).
O autarca garante que o programa pensado para 2026 não se limita a um exercício de nostalgia. “Vamos homenagear algo que aconteceu, mas numa perspetiva de usar esta memória como trampolim para o que aí vem, para o futuro”, afirma, destacando também a importância de envolver as novas gerações num processo que foi, acima de tudo, “um encontro entre a cidade e os cidadãos”. Esse movimento, acrescenta, ajudou a criar “um novo bairrismo saudável que cresceu, de orgulho na cidade, de identificação”.
Entre as metas definidas pelo Município estão a preservação da memória da Porto 2001 enquanto matéria viva para reflexão e criação futura, o estímulo ao debate sobre o futuro da cultura no Porto, a promoção de novas ou renovadas políticas públicas e o reforço da cooperação entre instituições culturais da cidade.
Na leitura de Jorge Sobrado, vereador da Cultura e Património, a Porto 2001 representa “a ideia de uma cidade cultural, culturalmente influente, que se afirma como farol de cultura”. Uma ideia que, sublinha, continua ativa: “nunca se extingue, é uma matéria viva”. É com esse espírito que, em 2026, o Porto pretende “reincarnar, reativar, reinterpretar e estender por outras vias uma ideia de Capital Europeia da Cultura”, sustentado na convicção de que “a memória é o suporte do futuro”. “O Porto quer irradiar o futuro da cultura”, reforça.
O programa já conta com nove iniciativas confirmadas, que passam por fóruns de reflexão, exposições, ciclos de conversas, roteiros urbanos e projetos artísticos e literários. Entre as propostas estão o fórum “PORTO. Regresso ao Futuro: 1996 – 2001 – 2026”, uma exposição dedicada à Porto 2001, um roteiro por equipamentos ligados à Capital Europeia da Cultura, concertos especiais, um espetáculo da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, o projeto “Biblioteca Infinita”, sessões de cinema no Batalha Centro de Cinema e a proposta de atribuir o topónimo “Porto 2001” a um espaço da cidade.
As comemorações incluem ainda investimentos considerados prioritários, como a criação de uma rede de centros de criação e espaços de programação para o setor cultural independente, a valorização de percursos patrimoniais como os “Caminhos do Romântico” e os futuros “Caminhos a Oriente”, a criação de uma “Casa Forte” para salvaguarda de espólios bibliográficos e estudos sobre o estado estrutural da Antiga Casa da Câmara.