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Metro do Porto

Gratuitidade nos transportes ganha força no Norte e levanta novos desafios

Gratuitidade nos transportes ganha força no Norte e levanta novos desafios

O Porto prepara-se para avançar com a gratuitidade dos transportes públicos no início de 2027, numa medida que começa a ganhar expressão no Norte do país e que poderá alterar de forma significativa a forma como as pessoas se deslocam.

Segundo a autarquia, está previsto um investimento de cerca de 11 milhões de euros já em 2026 para suportar o arranque da medida, que será dirigida aos residentes com Cartão Porto. Em paralelo, o município tem vindo a reforçar a rede, com aposta na renovação da frota, aumento de frequências e melhoria das condições de serviço.

A tendência não se fica pela Invicta. Braga aponta para 2029 como horizonte para implementar um modelo semelhante, enquanto Guimarães, segundo o JN, já assumiu a intenção de seguir o mesmo caminho, embora sem prazo definido.

O exemplo mais avançado em Portugal continua a ser Cascais, onde os transportes são gratuitos desde 2020. O município investe cerca de 17 milhões de euros por ano e registou um aumento significativo da procura, passando de cerca de 622 mil passageiros mensais antes da pandemia para perto de 910 mil. Atualmente, a rede transporta cerca de 11 milhões de passageiros por ano.

Medida pode aumentar procura, mas levanta dúvidas sobre sustentabilidade

Apesar dos benefícios evidentes, especialistas alertam para os riscos associados à gratuitidade. Em Portugal, a receita da bilhética tem um peso relevante no financiamento dos transportes públicos, o que levanta questões sobre a sustentabilidade do modelo.

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No caso da STCP, essa receita representa mais de metade do total, enquanto no metro do Porto é determinante para o equilíbrio financeiro. A eliminação desse rendimento obriga a compensações diretas dos municípios, o que pode pressionar os orçamentos.

Outro dos desafios passa pela qualidade do serviço. A gratuitidade pode atrair mais utilizadores, mas se não for acompanhada por reforço da oferta, pode gerar constrangimentos. Frequência, fiabilidade e cobertura continuam a ser fatores decisivos para garantir a adesão ao transporte público.

Os especialistas sublinham ainda que estas políticas devem ser pensadas a longo prazo. Recuar numa medida deste tipo poderá afastar utilizadores de forma duradoura.

Ainda assim, os objetivos são claros. Reduzir emissões, aliviar o peso financeiro das famílias e melhorar o funcionamento das cidades, com menos congestionamento e maior eficiência na circulação.

A gratuitidade dos transportes está a ganhar espaço no Norte, mas o seu sucesso dependerá da capacidade de garantir um sistema robusto, sustentável e preparado para responder ao aumento da procura.

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