Revista Sabe Bem (Setembro/Outubro) - PD

Festivais de música em Portugal trabalham inclusão

Festivais de música em Portugal trabalham inclusão

O assistente pessoal ou acompanhante de uma pessoa com deficiência não pagar bilhete num espectáculo continua a ser um problema em Portugal, mas cada vez menos. Vimos isso nos festivais de 2022 com o Bons Sons, Boom, Iminente, N2, MIL, MEO Kalorama e Rock in Rio. Todos incluíram a entrada gratuita de acompanhante na compra do bilhete da pessoa com deficiência.

Quando criámos a Access Lab, no Verão de 2021, era uma realidade apenas do Bons Sons e Boom. Um dos nossos propósitos, enquanto startup de impacto social, é dedicar horas semanais ao advocacy e estímulo do diálogo entre os players de mercado, independentemente de colaborarem ou não formalmente connosco. O sector pode hoje orgulhar-se de ter 7 festivais a incluir a pessoa com deficiência sem discriminá-la economicamente. A grande questão é: quais serão os próximos?

Sabemos que muitíssimo continua por fazer. Sentimo-lo na pele, em contacto com a comunidade. 2022 teve grandes conquistas mas teve igualmente casos flagrantes de discriminação: festivais sem estacionamento; a maior parte sem bilhete de acompanhante gratuito; demasiados a esquecerem-se de casas de banho dignas e plataformas elevadas.

As plataformas, que são um lugar contemplado no decreto-lei 163/2006, e devia ser licenciado pelas autarquias, continuam a ser, maioritariamente, um espaço que despreza a dignidade humana. O mercado continua a sobrelotá-las porque não cria uma tipologia de bilhete dedicada, como seria lógico, e como é feito em salas de espectáculos. Devido à sua sobrelotação, continuam a separar-se as pessoas dos acompanhantes, deixando-as isoladas em experiências desenhadas para estimular a união do público.

Apesar destes problemas, celebramos o sucesso e continuamos a apoiar quem trabalha para mudar o panorama. Uma medida que gostávamos de ver implementada, já no próximo Orçamento de Estado, seria a isenção de IVA para os bilhetes de pessoas com deficiência e dos seus acompanhantes.

Dentro ainda da nossa actividade de advocacy, institucionalmente, aguardamos a publicação do programa “Festivais Acessíveis”, do Turismo de Portugal, do qual fizemos uma revisão informal, e que acreditamos poder vir a ser um agente transformador.

Estamos todos atentos. As marcas estão cada vez mais disponíveis para se alinharem com valores de progresso, inclusão e futuro. Já vimos isso acontecer em 2022. Além de patrocinadores, também promotores, agentes e artistas estão sensíveis. A própria comunidade está mais outspoken, exigente e construtiva.

A história escreve-se diariamente. Vamos escrevê-la em conjunto.

Jwana Godinho e Tiago Fortuna

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