Recheio 2023

Teatro Municipal do Porto | Rivoli

Teatro Municipal do Porto | Rivoli

Porta-Jazz | 13ª edição
de 3 a 5 de fevereiro, vários horários

Um caldeirão de arte, música e humanismo. O significado da expressão melting pot, na sua génese, descreve um fenómeno social, que abreviadamente se traduz nas diferenças étnicas de um determinado lugar e na forma como essas diferenças se dissipam, através da junção e interação de uma diversificada população, criando assim novos padrões de comportamento e novas realidades sociais e culturais. É também esta expressão usada muitas vezes para caracterizar universos mais restritos do que a população de um país ou de uma grande e cosmopolita cidade. Universos esses que podem ser pequenos como um quarteirão dessa mesma grande cidade ou liliputianos como uma manifestação artística emergente desse pequeno quarteirão. Se apontarmos o foco deste preâmbulo para a palavra “quarteirão” e substituirmos o inglesismo melting pot pela palavra “caldeirão”, eis-nos num importante ponto de chegada, que sobretudo importa pela diversidade e riqueza dos pontos de partida que proporciona.

Espaços, lugares e territorialidades #5 | Ciclo de conferências
7 de fevereiro, 18h30

Nos últimos anos ganhou preponderância o chamado “spatial turn”, a viragem para o espaço. Uma viragem implica uma mudança de direção, mas também a revelação de algo essencial. A maneira como o espaço se inscreve sobre a Terra, de onde emana A Terra, é rugosa enquanto que o espaço geométrico é liso. A viragem deve-se a um pressentimento do especial dramatismo da relação com a Terra. Dizia Beckett: “Estamos sobre a Terra e isso não tem remédio”. A afinidade da carne com a matéria acarreta a finitude humana, que nenhuma religião conseguiu cancelar, e cujo destino é o mesmo que o da própria Terra. Mas é o seu aparecimento que é problemático. A invenção da geometria, os mapas, as fronteiras, a rede de satélites e o GPS foram o efeito de um processo inconsciente e potente sobre a Terra, procurando dominá-la, pô-la à distância.
Todo o desafio está em ampliar o horizonte da habitabilidade em comum da Terra, no suspender as guerras territoriais, de pensar novas dobras do espaço, como os sonhados nas utopias (Bloch), nas heterotopias (Foucault), nas paisagens. No século passado, a land-art, ou a instalação, abriram esse caminho. Talvez apenas a arte possa, sem violência, abrir uma outra relação com a Terra, mais bela e mais justa. Explorar esta possibilidade passa por uma pluralidade de pensamentos em concerto, vindos das práticas artísticas, da filosofia, da geografia, da política ou da antropologia. Um concerto pela terra a ter lugar no Rivoli.

Philippe Quesne | Vivarium Studio
Farm Fatale

10 e 11 de fevereiro, 19h30

Na fronteira entre humano e fantoche, camponês e espantalho, as cinco personagens mascaradas de Farm Fatale surgem e instalam-se diante de um cenário branco imaculado. O público é, então, conduzido a um mundo que evoca grandemente uma quinta, onde vive um grupo de espantalhos poetas que gerem uma estação de rádio independente, cantam, tocam música, inventam palavras de ordem. Estes palhaços contemplativos em busca de um mundo melhor são sobretudo sonhadores, poetas e ativistas com uma tendência encantadora e inebriante para se deslumbrarem com a beleza e diversidade da natureza, tentando manter-se afastados de um capitalismo desenfreado que destrói florestas, terras e oceanos.

Né Barros | Distante — Paisagens, Máquinas, Animais
17 e 18 de fevereiro, 19h30

Existem formas de combate que evoluíram para a dimensão de jogo, tal como a esgrima. Ao longo da peça Distante, terceira da série Paisagens, Máquinas e Animais, os bailarinos são jogadores, convocam a técnica como forma evoluída de nos relacionarmos no corpo a corpo. O corpo-máquina deverá, sobretudo, seguir esta linha, ser capaz de moldar o instinto e dar-lhe uma nova vida ética. A máquina, neste sentido, é a possibilidade de através da técnica e do tecnológico, expandir o corpo e o lugar sem o territorializar. Uma mensagem antiguerra se quisermos… Distante pela dimensão ética perante o outro, distante por um tempo pautado pela repetição, um tempo maquinal usado sobretudo para rememorar. A motivação para fazer uma série de projetos em torno das paisagens, máquinas e animais, surge da necessidade de pensar uma peça que não se esgotasse num único espetáculo, mas que pudesse dialogar com outras obras.

Understage | Rodrigo Amado
24 de fevereiro, 22h30

Não apenas uma das mais importantes figuras do jazz português, Rodrigo Amado é já reconhecido como um dos mais inovadores saxofonistas contemporâneos. Ao longo de décadas de colaborações que atestam a sua versatilidade, Amado deixou a sua marca em vários géneros e tornou-se um dos mais celebrados músicos do nosso país a nível internacional. Respeitando a história do jazz, de Coltrane e Sonny Rollins às mais modernas correntes germânicas e norueguesas, mas com a confiança de um mestre que não se inibe de lhe dar um cunho pessoal que o torna imediatamente reconhecível, Amado apresenta o seu primeiro disco a solo. Em Refraction Solo, as homenagens musicais estão tão presentes quanto o seu discurso, sendo uma introdução perfeita para quem desconhece o seu trabalho e uma oportunidade de o estudar mais intimamente para quem já há muito acompanha a sua carreira.
Esta será a primeira apresentação no Porto. Um concerto que, através da familiaridade com as linguagens usadas, se torna altamente acessível, mas que deixará o público tentado a explorar em detalhe o jazz de vanguarda.

Novos Talentos | Francisco Cabrita (piano)
25 de fevereiro, 18h00

Nascido em Lisboa em 2002, Francisco Cabrita começou as aulas de piano aos 7 anos com a prof.ª Alla Litkovets. Ingressou em 2012 na Academia de Amadores de Música, onde estudou com a prof.ª Ana Marques, e em 2017 no Conservatório Nacional, na classe do prof. Hélder Entrudo. Atualmente estuda com o prof. Paulo Oliveira na Metropolitana. Recebeu o primeiro prémio de vários concursos em Portugal e no estrangeiro, entre eles o Concurso Internacional Paços Premium 2022, Concurso Orchestra Ferrucio Busoni Agenzia Promusica 2022 (Itália) e Concurso Internacional Luigi Cerritelli 2022 (Itália). Teve oportunidade de trabalhar em contexto de masterclass com António Victorino d’Almeida, Vladimir Viardo e Cristina Ortiz, entre outros. Integra desde janeiro de 2022 o ensemble de música eletroacústica Sond’ar-te Electric Ensemble.

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