A necessidade de profissionais de saúde com formação avançada em cuidados paliativos face ao aumento da esperança de vida e à evolução da medicina levou a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) a promover, já este ano, um doutoramento em cuidados paliativos, destinado a médicos, enfermeiros, psicólogos e profissionais de ação social.
Um estudo desenvolvido no âmbito do Mestrado em Cuidados Paliativos da FMUP aponta para a dificuldade das equipas médicas reconhecerem a proximidade da morte dos pacientes, “limiar em que morte deve ser encarada como natural e evitar o prolongamento de intervenções médicas consideradas fúteis”, defende Rui Nunes, professor catedrático da FMUP e um dos responsáveis pelo novo programa doutoral.
Esta formação avançada pioneira em Portugal e nos países lusófonos visa promover “um acompanhamento mais digno e competente da profissão paliativa”, numa altura da vida em que a prática médica intrusiva deixa de ter vantagem clínica.
Para Elisabete Delgado, autora do estudo que levou ao recém-criado doutoramento, “é difícil reconhecer quando o doente se encontra numa fase de fim de vida”, sendo, no entanto, fundamental ter essa percepção para que as equipas possam prestar cuidados adequados à situação.
Em declarações ao jornal Expresso, Rui Nunes afirmou que este diagóstico é ainda importante para ajudar a família a lidar com a proximidade do luto.
O novo programa doutoral em cuidados paliativos vai arrancar com 10 candidatos, nove portugueses e uma médica do Hospital Central de Maputo, e terá a duração de cerca de três anos, a funcionar em período pós-laboral. Todos os anos, irão abrir vagas para novos formandos, sendo a especialidade promovida em parceria com outras instituições universitárais e de saúde a nível nacional e intermnacional do espaço da lusofonia e também anglo-saxónicas.