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Fábrica das Velas

Fábrica das Velas

Há lojas que existem. E há lojas que persistem. A Fábrica das Velas, na Rua da Assunção, no Porto, pertence claramente à segunda categoria. Com mais de 120 anos de história, é um dos estabelecimentos mais antigos da cidade.

A loja pertence à mesma família desde o início. Não há data precisa, não há documento fundador emoldurado na parede. O que há é continuidade e uma teimosia saudável em não desaparecer.

Um espaço com velas artesanais e peças de igreja

Dentro destas paredes, o tempo parece correr de forma diferente. Há funcionários que trabalham na Fábrica das Velas há mais de 35 anos.

“Temos funcionários que já estão connosco há mais de 35 anos, e temos gente nova a colaborar connosco há poucos anos”, conta Luís Rocha, responsável pela loja. 

O espaço é dedicado ao comércio de velas artesanais, decorativas e litúrgicas, mas vai muito além disso. Há produtos ligados à Igreja, peças para cumprir promessas, artigos para celebrações religiosas. E há um detalhe que surpreende quem não conhece a história da zona.

“Como esta área era uma zona de cordoaria, ainda mantemos a tradição de vender vários tipos de fios e cordas” – explica Luís Rocha.

O que mudou… e o que preocupa

Como em tantos negócios tradicionais, os anos trouxeram mudanças que não se escolheram. A procura religiosa, que durante décadas sustentou o negócio, foi diminuindo com as gerações mais novas.

“Na parte religiosa, as gerações mais novas já não aderem tanto à procura. Continua a haver procura durante as celebrações e épocas festivas, mas durante o resto do ano a procura diminui”.

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As memórias que as paredes guardam

Ao longo de tantos anos, há histórias que ficam. Uma delas remonta a uma época em que o Dia de Todos os Santos, a 1 de novembro, transformava a rua numa romaria.

“Há muitos anos, na época que antecedia o Dia de Todos os Santos, a procura de produtos, naquele caso eram tigelas de barro e alumínio com cera para os cemitérios, era tanta que se formavam filas de clientes pela rua fora durante vários dias” – recorda Luís Rocha.

Mas há outra memória que fica, mais íntima e talvez mais valiosa: “o que fica na memória era a amizade e o convívio que existia entre os funcionários e patrões de todas as lojas aqui da rua.”

Quem entra hoje?

O perfil de quem visita a Fábrica das Velas mudou com o Porto. Padres e pessoas ligadas à Igreja continuam a ser clientes habituais. Há quem venha à procura de velas para cemitérios, para colocar em cima das campas. E há cada vez mais turistas: curiosos, câmara na mão, atraídos pelo que a loja representa.

O elogio que mais fica, e que acontece com frequência, tem um certo toque de nostalgia. “Pessoas, já idosas às vezes, que têm memórias de vir a esta loja em criança com os seus pais ou avós”. São essas as visitas que não se esquecem.

A Fábrica das Velas está abrangida pelo programa Porto de Tradição, uma distinção municipal que reconhece estabelecimentos com história e identidade própria na cidade.

“Estar abrangido pelo programa é algo gratificante, pois simboliza o reconhecimento do estabelecimento e das suas tradições, assim como ficar ligados à história da cidade” – conclui o dono da loja.

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