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Estudo da FMUP revela que 37% das crianças do Grande Porto têm falta de iodo

Estudo da FMUP revela que 37% das crianças do Grande Porto têm falta de iodo
Um estudo levado a cabo por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revela que cerca de 37% das crianças do Grande Porto apresentam carência de iodo, “nutriente essencial para o desenvolvimento cognitivo”.

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A investigação foi feita através de uma avaliação a 2018 crianças, com idades entre os seis e os 12 anos, de 83 escolas do Grande Porto, do Tâmega e de Entre Douro e Vouga.
O estudo ‘IoGeneration’, que teve a duração de um ano, foi liderado por uma equipa do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) da FMUP, contando com a colaboração da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU) e da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Noruega (NTNU).
A coordenadora do projeto, Conceição Calhau, indicou que as crianças do Grande Porto, comparativamente às das outras duas regiões do país, correm “50% mais risco de sofrer carência de iodo”, não tendo sido identificados os motivos para este facto.
Em termos, a avaliação aos alunos, feita através de testes de coeficiente de inteligência (QI), da análise da urina e de amostras de sal que levaram para a escola, indica que, no norte do país, 29% dos rapazes e 34% das raparigas apresentam níveis deficitários de iodo.
Segundo a investigadora, as escolas ignoraram a indicação da Direção-Geral de Educação que, em 2013, com base em estudos realizados anteriormente, orientava para a utilização de sal iodado na preparação das refeições escolares. Das monitorizadas, “nenhuma estava a usar da com iodo no momento da avaliação”.
O ‘IoGeneration’ revela ainda que 68% dos pais inquiridos “nunca tinha ouvido falar de sal iodado” e, quando questionados sobre o produto utilizado em casa, 35% não sabia se continha iodo, enquanto 8% indicou usar sal enriquecido com esse nutriente. No entanto, após verificação, os investigadores concluíram que “menos de um quinto” (17%) destes últimos usava, de facto, este tipo de sal.
“O objetivo último do IoGeneration é mudar a legislação quanto à utilização do iodo”, indicou a investigadora, acrescentando que o “pouco que se tem feito não tem tido impacto”.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) apela à fortificação do sal com iodo para o consumo humano, medida já implementada em outros países mas que em Portugal sofre “muita resistência” devido à “preocupação do uso excessivo de sal”, acrescenta.
O iodo, presente em alimentos como a cavala, o mexilhão, o bacalhau, o salmão, a pescada, o camarão, o leite e os ovos, é um “microelemento essencial à síntese das hormonas da tiroide e ao pleno desenvolvimento neurológico”.

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