O Convento de Francos, localizado na freguesia de Ramalde, no Porto, está a ser alvo de uma demolição parcial no âmbito de um projeto imobiliário que prevê a construção de 15 habitações, tal como confirmou a Câmara do Porto.
O antigo edifício religioso, que se encontra devoluto desde 2001, integra um loteamento onde já existem outras construções, nas imediações da estação de metro de Francos. No início deste ano arrancou uma intervenção associada a um processo de licenciamento para obras de demolição e alteração, que dará origem a um novo conjunto habitacional com 15 fogos.
Segundo a autarquia, no caso específico do convento foi autorizada apenas a demolição parcial. Está prevista a construção de três habitações na frente urbana da Rua da Travagem, bem como mais um fogo a poente, enquanto no interior do edifício serão criadas 11 unidades habitacionais. O projeto contempla ainda um logradouro com áreas de uso comum e espaços privados destinados a cada fração.
A Câmara acrescenta que o Banco de Materiais foi consultado no âmbito do processo, tendo sido identificados diversos elementos do convento que deverão ser removidos e entregues ao município (via Porto Canal).
Ainda assim, as imagens de arquitetura divulgadas no site promocional do futuro empreendimento, denominado “Porto Gardens” e aprovado no anterior executivo municipal, não evidenciam características reconhecíveis da traça original do convento.
De acordo com os registos prediais consultados pela Lusa, o imóvel pertence, desde 2020, à empresa Socibwana Imobiliária, que em 2022 adquiriu ainda dois edifícios contíguos, posteriormente integrados no mesmo loteamento.
Antes disso, em 2020, uma dirigente da Associação de Fiéis do Coração Imaculado de Maria, criada em 2017 com o objetivo de recuperar o espaço, alertava para o risco iminente de perda do convento, perante a ausência de um investidor que permitisse reconvertê-lo num centro de acolhimento espiritual e cultural.
Fundado em 1951 por iniciativa de Marianna Ignez de Jesus de Mello da Silva da Fonseca de Sampaio, o Convento de Francos ocupa uma área aproximada de 6.000 metros quadrados, parcialmente escondida por uma igreja mais recente e por uma rua de casas térreas. No início dos anos 2000, o espaço encerrou portas, o imóvel foi alienado e as religiosas que ali viviam foram transferidas para outros conventos espalhados pelo país.
Ao longo dos anos, o edifício passou por várias entidades, tendo inclusivamente acolhido edições do festival de música No Noise, promovido pela associação Sonoscopia. A associação de fiéis tentou recuperar o convento a partir de 2017, sob a liderança de Maria Teresa de Meireles Alte da Veiga, familiar da fundadora, mas a iniciativa acabou por não reunir os meios financeiros necessários.
Com um contrato de promessa de compra e venda em vigor, o imóvel acabou por ser colocado em leilão ‘online’ pela Globalurbe, com um valor base de 2,8 milhões de euros.
(Foto: via PortoGardens)