A relação “histórica, mercantil e sanguínea ancestral” entre Portugal e a Inglaterra, a existência de uma comunidade britânica no Porto, que “faz parte da história da cidade”, e “a urgência” em partilhar com o público “um património musical de primeira grandeza”, motivaram a escolha do Reino Unido como país temático 2017, explicou o diretor artístico da Casa da Música, António Jorge Pacheco ao site Porto 24.
“Para alguns será uma mera confirmação daquilo que já sabem e já conhecem, mas para muitos será de certeza uma revelação, uma verdadeira revelação de um património musical, talvez mal conhecido, mas que merece este destaque, este ano, na temporada da Casa da Música”, sublinhou António Jorge Pacheco.
O ano britânico arranca com a ‘Casa Aberta’, iniciativa que, até domingo, vai permitir ao público “ver aquilo que normalmente não tem oportunidade de ver”.
De destacar este sábado a conferência ‘O Impacto do Brexit na Vida Musical Britânica’, tema que “não está ainda a ser discutido, sobretudo no Reino Unido, mas que motiva preocupações”, destacou António Jorge Pacheco.
Segundo o diretor artístico, “há várias preocupações no meio musical britânico, nomeadamente o virem a ficar isolados na ilha devido a, por exemplo, barreiras alfandegárias e outras”.
“Há uma preocupação real no mundo musical britânico relativamente a este aspeto”, sustentou, acrescentando que esta conferência, organizada em colaboração com o British Council, conta com a presença de Nicholas Kenyon, diretor do Barbican Centre e organizador dos Proms (festival de música anual londrino) durante uma década.
Os quatro dias da ‘Casa Aberta’ terminarão no domingo ao fim da tarde, com o Coro da Casa da Música a mostrar “momentos importantes da vida coral britânica, desde a Renascença até aos nossos dias”.
Na programação para 2017, o Reino Unido marcará sempre presença, sendo ainda de realçar o festival Música Revolução, em finais de abril, no qual “os escândalos dos Proms” serão interpretados.