Bairro Feliz

Teatro São João

Teatro  São João

Dragón
14 – 15 maio | 19h00 – 16h00

A 45.ª edição do FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica propõe-nos “imaginar o futuro”. Dragón, do dramaturgo chileno Guillermo Calderón, inspira-se na crise artística subsequente a Mateluna, a sua peça anterior. Um coletivo teatral denominado Dragón reúne-se para planear o próximo projeto, mas um conflito interno abre-se em dilema. A violência sobre os imigrantes no Chile é o ponto de partida de um espetáculo que Calderón define como um recomeço: “Procurei um novo sentido de humor, uma renovada ideia de comédia.”

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Othello
21 e 22 maio | 19h00 e 16h00

A encenadora Marta Pazos pergunta-nos o que podemos fazer, a partir do nosso presente, para deter aquele momento (“Agora não há pausas, demasiado tarde.”) em que o mouro de Veneza assassina Desdémona. Como deter esse inferno (hell) que existe em Othello? Um inferno com quatrocentos anos de atualidade, a tragédia de Shakespeare coloca em cena questões que continuamos a debater hoje, como o racismo, a xenofobia, a violência exercida sobre as mulheres, a construção de género, a manipulação ou a pós-verdade (sim, Iago é o profeta das fake news). Nesta releitura cénica e dramatúrgica da companhia galega Voadora, Desdémona não morre (“Apenas sustive a respiração o tempo necessário para passar despercebida.”), nem esquece. O espetáculo acerca-se deste núcleo de dor e de raiva adotando a comédia – muito musical e coreográfica – como dispositivo. “Teatro necessário, urgente. Belo e corajoso”, alguém escreveu no diário El Confidencial.

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Ensaio Sobre a Cegueira
10 a 19 junho

“São trezentas páginas de constante aflição”, assim o descreveu José Saramago, aflição isenta de sentimentalismo e tingida de um humor muito negro. Ensaio Sobre a Cegueira (1995) ficciona um mundo onde (quase) todos ficam cegos, epidemia que leva um poder discricionário a isolar os infetados num espaço fechado. Neste apocalipse da alma, onde o “homem é o lobo do homem”, Saramago expõe a brutalidade do desejo de sobrevivência de um corpo social devastado. Ponto culminante do projeto de cooperação entre o Teatre Nacional de Catalunya e o Teatro Nacional São João, a adaptação para cena do romance de Saramago é emblemática da universalidade do Nobel português e do caráter transfronteiriço do ato teatral. O encenador Nuno Cardoso dirige uma jangada ibérica (e bilingue!), com atores portugueses e catalães irmanados na utopia de que o palco resolva ou adense os mistérios deste texto. “Abrem-se os portões, de par em par, os loucos saem.”

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Catarina e a Beleza de Matar Fascistas
25 junho – 2 julho

O nosso tempo mudou e é talvez tempo de o teatro usar os seus artifícios para nos transportar a um tempo futuro que melhor nos fale do tempo presente. Foi este olhar alegórico que Tiago Rodrigues tomou como premissa da sua peça Catarina e a Beleza de Matar Fascistas. Uma família reúne-se numa casa perto da aldeia de Baleizão para cumprir uma tradição anual: raptar e matar fascistas. É a vez de Catarina, um dos seus mais jovens elementos. É um dia de festa, beleza e morte. Mas Catarina é incapaz de matar e o conflito instala-se, enquanto o fantasma de uma outra Catarina, Eufémia de apelido, assoma. O que é um fascista? Há lugar para a violência na luta por um mundo melhor? Podemos violar as regras da democracia para melhor a defender? Como um poema distópico, o espetáculo afasta-se da realidade para melhor nos aproximar dela, ensaiando uma negociação poética com a cultura popular. O teatro é assim uma forma coletiva de projeção no futuro que nos cabe construir.

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Ils nous ont oubliés
8 e 9 julho | 19h00

Séverine Chavrier adapta para a cena Das Kalkwerk (1970), um dos primeiros romances do escritor e dramaturgo austríaco Thomas Bernhard. Um casal isola-se do mundo perdendo-se na paisagem glacial de uma mina de gesso: ele quer escrever um livro sobre a audição; ela, doente, está totalmente dependente dele. Vivem num inferno conjugal, dominado pela chantagem, vizinho da morte. Ao inventar, face ao romance, a personagem de uma enfermeira, a encenadora francesa adensa esta relação de violência. Farsa tingida pela melancolia e pelo desespero, Ils nous ont oubliés investe no jogo entre a cenografia, o vídeo e o tratamento sonoro para nos devolver o curto-circuito mental dos protagonistas, onde a enfermidade surge como um espelho da ruína do ideal artístico. Séverine Chavrier define o espetáculo como um poema musical. Nesta ode à esterilidade ressoa todo o humor e pessimismo de Bernhard.

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Manual de Autodefesa para Dramaturgos Vivos
até 31 de julho

As notícias da escassez ou da inexistência de dramaturgos vivos e portugueses são manifestamente exageradas. Este Manual de Autodefesa não é um exercício de resgate de uma espécie em vias de extinção, mas um ato de fé na possibilidade da sua reprodução assistida. Durante sete meses de trabalho intenso, o professor e dramaturgo Jorge Louraço Figueira orienta os participantes no sentido de atingir a finalidade última de qualquer oficina – figurativamente, “o lugar onde se opera uma transformação notável”. Um espaço de transmutação de ideias em textos, onde cada autor escreve a sua peça num diálogo permanente com o orientador e no confronto com os outros autores. Dirigida em particular a ex-alunos do curso de pós-graduação em Dramaturgia e Argumento da ESMAE – proporcionando-lhes uma outra etapa de formação em ato –, esta oficina abre-se também a dramaturgos com obra publicada ou estreada. Manual de Autodefesa para Dramaturgos Vivos não é uma operação-relâmpago. Oferece um tempo longo de maturação do processo criativo, articulando o debate coletivo da produção individual e a condição solitária do exercício de escrita.

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