Recheio 2023

Teatro São João

Teatro São João

Prometheus ’22
10 e 11 de fevereiro

Nas palavras de Gábor Tompa – encenador romeno-húngaro que recentemente levantou um Godot de Beckett no palco do Teatro São João –, Prometheus ‘22 quer ser uma meditação sobre a condição do intelectual no século XXI. No universo digitalizado e manipulado das redes sociais e dos órgãos de informação, a verdade é relativizada, o diálogo torna-se quase impossível, o discurso do ódio é uma rotina diária. O papel dos intelectuais – cientistas, médicos, artistas – revela-se mais difícil, mas de maior responsabilidade: observar o mundo com um olhar objetivo e transmitir o conhecimento aos outros, mesmo correndo o risco da perseguição, como aconteceu a Prometeu na mitologia grega, ao roubar o fogo aos deuses para o dar aos mortais. Numa estrutura cenográfica que lembra um imenso laboratório ou uma central nuclear, onde se sujeitam indivíduos a todo o tipo de experiências para os manipular, este titã que intercedeu pela humanidade sofre o tormento e a humilhação. Prometheus ‘22 aborda o mito segundo este elo paradoxal com a espécie humana, explorando assim a sua relevância no mundo contemporâneo.

Focs/Vatre
17 e 18 de fevereiro

A escritora belga Marguerite Yourcenar (1903-87) publicou Feux em 1936. Nesta sequência de prosas líricas baseadas em figuras da mitologia grega, Yourcenar não só interpreta as conturbações do seu tempo, desnudando “uma outra História”, como faz uma leitura transgressora dos clássicos. Revisitando o conceito de amor, reconhece em Clitemnestra, Antígona, Safo, Maria Madalena ou Fedra uma irmandade de carne e osso. Dirigindo uma coprodução servo-espanhola, Carme Portaceli, diretora artística do Teatre Nacional de Catalunya, propõe-nos uma viagem emocional comum. Com um desconcertante sentido de humor, Focs/Vatre convoca uma assembleia de personagens-testemunho, de ontem e de hoje, oferecendo-nos uma lúcida visão do seu sofrimento. Nesse fogo cruzado e reflexivo entre a mitologia e a contemporaneidade, as personagens (e nós, espectadores) acedem a uma consciência que, nas palavras da dramaturgista María Velasco, “dará à luz o futuro”.

As Bruxas de Salém
de 16 de março a 2 de abril

“As Bruxas de Salém foi um ato de desespero.” Palavras do dramaturgo Arthur Miller sobre a génese desta peça, baseada em factos históricos. Em 1692, na pequena comunidade americana de Salém, mulheres e homens são perseguidos e julgados por bruxaria. O rumor e a mentira incandescem e ninguém parece a salvo da acusação ou da vingança. Estreada em 1953, As Bruxas de Salém foi pensada como um paralelo às trevas do macarthismo que corroíam o coração da América, consumida pela febre anticomunista, que também vitimou Miller. Do seu epicentro – um fascínio primevo pela paranoia, que sacrifica indivíduos na sua fúria coletiva – ressoam hoje múltiplos ecos. É com ela que Nuno Cardoso prossegue a inquirição dos alicerces da vida em comunidade, num outro ensaio sobre a cegueira do homem social. De novo Miller: “Por debaixo das questões sobre justiça, a peça desenterra um caldo letal de sexualidade ilícita, medo do sobrenatural e manipulação política.”

Dramaturga Emergente Europeia: Catalunha
27 de março

Com este programa de leituras encenadas abrimos uma nova via de colaboração entre os teatros nacionais do Porto e da Catalunha, iniciada em Ensaio Sobre a Cegueira. No Dia Mundial do Teatro, lemos Ventura e M’hauríeu de pagar, peças dos dramaturgos catalães Cristina Clemente e Jordi Prat i Coll, dirigidas por encenadores catalães, com um elenco português. No dia seguinte, em Barcelona, o Teatre Nacional de Catalunya promove a leitura de peças de Sara Barros Leitão e Joana Craveiro, com direção de encenadores portugueses, com um elenco catalão. Damo-nos a ler uns aos outros, colocamos em relação textos, equipas, culturas, línguas. Pequenos grandes gestos que estruturam experiências reais de internacionalização, discretas mas efetivas, que transcendem o costumeiro import/export da produção e circulação artística.

Longa Jornada Para a Noite
20 de abril a 7 de maio

Eugene O’Neill compôs esta “peça de antigas penas, escrita a lágrimas e sangue” entre 1939 e 1941, mas a autobiográfica Longa Jornada Para a Noite só seria publicada e representada postumamente, em 1956, a pedido do autor. É como se ele fizesse suas as palavras de Jamie, um dos quatro membros da família Tyronne: “Não consigo esquecer o passado. Esse é que é o inferno.” O crítico Harold Bloom notou que “nenhum dramaturgo americano igualou O’Neill na descrição das tormentosas realidades que afligem a vida familiar no mundo ocidental”. Para companheiros de estrada desta Longa Jornada, o Ensemble convocou um conjunto de nomes indissociáveis da nossa identidade artística. Da tradutora Luísa Costa Gomes ao encenador Ricardo Pais, da atriz Emília Silvestre aos atores João Reis e Pedro Almendra. Um ensemble capaz de conferir espessura a estas criaturas a um tempo vulneráveis e implacáveis, sarcásticas e melancólicas, gagas e eloquentes. “Gaguejar é a eloquência nativa da nossa gente, o povo do nevoeiro.”

Hamlet
12 e 13 de maio

Um grupo de pessoas com síndrome de Down sobe ao palco para partilhar os seus desejos e frustrações a partir de uma versão muito livre de Hamlet. O espetáculo resulta de um cruzamento entre o texto de Shakespeare e as vidas dos atores, animado pela pergunta existencial que popularizou o príncipe da Dinamarca: ser ou não ser? O que significa ser para pessoas que são consideradas um fardo, um refugo social? Que sentido e valor tem a sua existência num mundo em que a eficácia e modelos inatingíveis de consumo e beleza são o paradigma do humano? Hamlet é dirigido por Chela De Ferrari, um dos membros fundadores do Teatro La Plaza, coletivo peruano que parte de textos de autores clássicos e contemporâneos para levantar espetáculos capazes de “questionar, provocar e surpreender”.

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