Recheio 2023

Teatro Carlos Alberto

Teatro Carlos Alberto

Decalogue of Anxiety
3 e 4 de fevereiro

A inspiração para Decalogue of Anxiety nasceu de uma imagem de rebelião do livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. No mundo distópico descrito pelo escritor norte-americano, a cultura é o pior inimigo da sociedade, os livros são procurados e queimados por “bombeiros” à temperatura referida no título. Mas há um grupo de dissidentes, escondidos nas florestas, que memorizam os grandes textos da humanidade. Decalogue of Anxiety é uma colagem de dez fragmentos, um panorama da literatura mundial, de Platão a Sófocles e Calderón de la Barca, de Dostoiévski a Büchner, Tchékhov e Heiner Müller. Dez atrizes e atores europeus trabalharam estes clássicos num workshop intensivo, sob a direção de Margarita Mladenova e Ivan Dobchev, fundadores do Theatre Laboratory Sfumato, um dos rostos mais visíveis da renovação do teatro búlgaro. Decalogue of Anxiety é uma espécie de Arca de Noé transportando dez rebeldes, que literalmente são os textos que memorizaram.

Sem Medo
de 14 a 18 de fevereiro

Para a escrita de Sem Medo, Teresa Coutinho inspirou-se no livro de Miguel Granja, Simão Sem Medo, e no clássico de José Gomes Ferreira, Aventuras de João Sem Medo. Neste espetáculo, Simone, uma menina corajosa, leva-nos numa viagem pelo seu universo onírico, em busca de alguém que perdeu e do seu lugar no mundo. À semelhança da Alice de Lewis Carroll, Simone também entra pelo espelho adentro, mas em busca da sua avó, numa travessia em que se confronta com a experiência do luto, com a especificidade do outro e com o que são, afinal, a coragem e a valentia. Sem Medo devolve-nos um mundo plural, tendo uma forte componente de vídeo, o que permite expandir os limites do espaço físico e assim conduzir-nos por muitos dos lugares visitados pela personagem e pelos obstáculos com que se depara na sua “jornada de heroína”. A coragem contagiante de uma criança mede-se pela sua abertura ao desconhecido, lembrando-nos de que “não ter medo é ser capaz de ouvir e reconhecer o outro”.

Iokasté
24 e 25 de fevereiro

Coprodução checo-eslovaca, com texto e encenação do eslovaco Lukáš Brutovský, equipa artística e elenco mistos, falada em ambas as línguas, Iokasté foca-se nesta figura da mitologia grega. Ao dar-lhe a centralidade e a voz que nunca teve, o espetáculo conta a história de uma rainha sempre relegada para “as margens pelos homens, personagens teatrais e autores.” Mesmo em Édipo Rei, Sófocles só confere a Jocasta um protagonismo enviesado, quando o seu suicídio é descrito por um mensageiro. Iokasté contrapõe uma visão feminista, um confronto entre a Antiguidade e o presente, o mito e o #MeToo. Tirando partido da similitude e da diferença das línguas checa e eslovaca, combinando a poesia de um texto contemporâneo com uma forte componente visual e de movimento, Iokasté investiga as raízes da misoginia, do antifeminismo e da masculinidade tóxica, de Sófocles a Donald Trump.

Oralidade e Comunicação: Corpo-Voz em Ação
de 4 a 11 de março

Esta ação de formação explora a voz enquanto ferramenta primordial de comunicação – mecanismo que utilizamos para expressar o que sentimos antes mesmo de utilizar palavras. Aliando-a à palavra, materializamos ideias, histórias e conceitos. Ligamo-la ao corpo, em ritmo, intenção e articulação, ao espaço e ao contexto, e desvendamos os seus matizes comunicantes.
Acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua para o Centro de Formação Aurélio da Paz dos Reis.

Uma Ideia de Justiça
de 7 a 11 de março

O que é a justiça? E a injustiça? Uma Ideia de Justiça, de Joana Providência, com texto de Isabel Minhós Martins, é um espetáculo que traz estas perguntas literalmente para cima da mesa, uma mesa onde se tenta construir uma noção de justiça. À sua volta, há cadeiras especiais para sentar toda a gente: os que têm pernas compridas, os que não conseguem estar quietos, os que vêm sempre e os que não costumam ser convidados. Sobre ela, vários adereços: por exemplo, uma travessa cheia de fruta. Quem tem mais fome? Quem ainda não comeu? Quem tem direito a esta fruta? Levantam-se interrogações parecidas quando são direitos, deveres ou liberdades o que está em cima da mesa. Ao abordar questões como a diversidade, a escolha, a igualdade e a liberdade, o espetáculo quer ser uma ferramenta de construção de justiça. E responder à interpelação de Sophia de Mello Breyner: “Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo.”

Rei Édipo
de 23 a 26 de março

Rei Édipo, dos SillySeason, parte do “cânone ocidental” do mito edipiano de Sófocles para a contemporaneidade. Reinterpreta e reescreve o tempo presente, através da exploração de vários estágios de reconhecimento e do pathos ético que o acompanha. Segundo Harold Bloom, Édipo terá um complexo de Hamlet, patologia que o leva a “pensar não demasiado, mas demasiado bem”, sendo uma espécie de símbolo da distorção do real em que vivemos. Hoje, pensar demasiado bem ou racionalmente constitui-se como tarefa impossível, em face quer da distopia reinante, quer da falta de ferramentas que filtrem a informação recebida. Em Rei Édipo, o mito surge – enquanto símbolo do julgamento impossível – imerso em retóricas distorcidas, futurologia, demagogia e misticismo, sem possibilidade de reconhecimento da verdade dos factos. Afirmam os SillySeason: “Esta será a nossa tragédia.”

Oficina Páscoa no Teatro
27 e 31 de março

Há um artista em cada um de nós? Esta oficina, conduzida pela companhia Mundo Razoável, pretende despertá-lo, ao mesmo tempo que estabelece ligação com os temas do espetáculo em cena. Na Páscoa, são as interrogações sobre justiça e injustiça, levantadas na peça Uma Ideia de Justiça, a serem trabalhadas.

A Última Gravação de Krapp
de 13 a 23 de abril

Krapp está na cabeça de Krapp que está na cabeça de Krapp. Recorre a um gravador de bobines para resgatar, a cada aniversário, “o que esquecer não se pode”. Liga, desliga e volta a ligar; rebobina ou faz avançar a fita, insistindo em algumas passagens e elidindo outras. A memória opera por descontinuidades, contém falhas impossíveis de colmatar. Em A Última Gravação de Krapp, a voz gravada confunde-se com a vida, ou a vida não é mais do que a escuta que a voz faz de si mesma? Nuno Carinhas regressa àquela que é, nas suas palavras, “provavelmente a peça mais nostálgica, melancólica e lírica de Samuel Beckett”. Em Uma Noite no Futuro, espetáculo que encenou no Teatro Nacional São João em 2018, Krapp dividia o palco com personagens de Velha Toada (adaptação de Beckett de La Manivelle, de Robert Pinget) e do vicentino Auto da Fé. Mas agora Krapp está sozinho em casa. “Passa da meia-noite. Nunca nada foi tão silencioso. Como se a terra fosse desabitada. Termino aqui esta gravação. Caixa três, bobine cinco.”

Práticas Artísticas na Formação de Professores
de 15 de abril a 13 de maio

Esta formação, associada a um espetáculo, convoca práticas artísticas que convertem a sala de aula num lugar de interação, valorizando a aquisição de competências fundamentais na relação dos alunos com o mundo atual, tais como o questionamento, a reflexão, o debate, a crítica, a criatividade, a inovação, a variedade de linguagens. Promove estratégias no sentido de tornar os conteúdos programáticos mais relevantes para os alunos, independentemente da disciplina ou área de estudos. Estabelece uma relação próxima entre sentir, fazer e pensar, de forma a estimular a curiosidade, o espírito crítico e a criatividade, sublinhando a importância dos conteúdos das disciplinas no contexto dos interesses e motivações dos alunos. Nesta ação de formação trabalha-se o indivíduo em relação consigo e com os outros, o corpo sensorial e operacional, a oralidade, mecanismos de criação, o pensamento. Promove-se a fruição artística através de espetáculos que estabelecem pontes com os conteúdos programáticos.
Reconhecida pelo Centro de Formação Guilhermina Suggia, que certificará os participantes que o solicitarem.

Visitações: Adolescência
6 e 7 de maio

Visitações ganha nesta temporada um novo fôlego. Os Clubes de Teatro de seis escolas visitam textos produzidos no âmbito do projeto europeu Between Lands. Quatro teatros de Espanha, Bélgica, França e Portugal, imbuídos pela ideia do papel fundamental da cultura na defesa de uma visão comum do mundo, pediram a quatro autores dos respetivos países que escrevessem textos dramáticos sobre o tema da adolescência. Tiago Correia foi o dramaturgo português escolhido pelo Teatro Nacional São João. Sob a coordenação artística do encenador Victor Hugo Pontes, artistas e Clubes de Teatro estão a trabalhar estes textos, a animá-los. Ao dar-lhes corpo e voz, descobrindo-lhes os pontos de contacto ou de fuga, Visitações: Adolescência constrói um espaço de reflexão, transmissão e partilha. Em maio, o Teatro Carlos Alberto oferecerá palco a este mosaico de sensibilidades e de matizes sobre uma etapa tão decisiva na vida de cada um.

Cosmos
11 e 12 de maio

A primeira imagem do espetáculo é a de um embondeiro de onde pendem três corpos, que poderiam remeter-nos para fotografias de linchamentos de afro-americanos nos EUA. Mas para Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema, estes são “corpos a nascer, a renascer, a curarem-se, a religaram-se, individual e coletivamente”. Em Cosmos, segunda parte de uma trilogia em construção, as atrizes e encenadoras apropriam-se de “imagens repetidas na História de tantas maneiras trágicas” e atribuem-lhes novos significados. Uma epopeia onde o tempo e o espaço se confundem, dando origem a uma sobreposição de acontecimentos reais e/ou ficcionais. Através do resgate da mitologia africana e da sua mistura com mitos europeus, Cosmos projeta-se num horizonte afro-futurista, enquanto questiona se somos apenas frutos das histórias que nos contam. Nesta viagem, será impossível não questionar a humanidade e o caminho percorrido até aos dias de hoje. Uma jornada de onde emergem diferentes futuros possíveis.

Moria
19 e 20 de maio

Antes de ser consumido por um incêndio em 2020, o campo de refugiados de Moria já era um inferno. Situado na ilha grega de Lesbos, chegou a albergar cerca de 13 mil pessoas em condições infra-humanas. Dirigido pelo encenador espanhol Mario Vega, Moria assume-se como uma jornada imersiva e documental ao interior daquele que muitos não hesitaram em descrever como o “pior campo de refugiados da Europa”. Dentro de uma tenda de campanha, as atrizes Ruth Sánchez e Marta Viera dão corpo e voz aos testemunhos reais da afegã Zohra Amiryar e da iraquiana Douaa Alhavatem, duas das múltiplas vidas interrompidas e violentadas na ilha de Lesbos. Do inferno de que fugiram nos seus países de origem ao insuspeitado inferno que viveram em solo europeu, um percurso feito de esperança e celebração, vergonha e medo, sempre sob a sombra de morte que se abateu sobre Moria, a “vergonha da Europa”.

Vânia
de 1 a 4 de junho

Houve outros antecedentes no teatro de Luís Mestre, como Do Precipício Tempestuoso de Ricardo III, onde remisturou Shakespeare. Agora, recria uma das mais icónicas peças da dramaturgia universal, partindo do matricial O Tio Vânia, de Anton Tchékhov, e passando pelas variações em tom maior de David Mamet (que Louis Malle filmou em Vanya on 42nd Street) e Howard Barker, que em 1991 escreveu o seu (Tio) Vânia. Neste diálogo aberto com a matéria herdada, Luís Mestre constrói Vânia, um drama íntimo para cinco personagens, inscrito no real social e político do nosso presente, sublinhando a sua teimosa intemporalidade. Ponto de referência? A palavra ao dramaturgo e encenador: “O longo momento em que o tempo parece congelar, em que encontramos as personagens em perda de si mesmas, assaltadas por emoções e palavras, desprovidas de esperança, num estado de alienação latente face a um destino que se desviou das suas ambições.”

Clubes de Teatro
Até 1 de julho

Depois do questionamento das personagens das tragédias gregas, a par do espetáculo Para que os Ventos se Levantem: Uma Oresteia, os Clubes de Teatro continuam o diálogo com os textos em cena. No primeiro trimestre do ano, trabalham-se as formas de repressão e de perseguição levantadas na peça de Arthur Miller, As Bruxas de Salém, para se descobrirem os seus ecos e variações no nosso quotidiano. No segundo trimestre, Longa Jornada Para a Noite, de Eugene O’Neill, é o ponto de partida de uma jornada criativa em que a família é vista como lugar de esgrima de uma multiplicidade de relações humanas. A interação das leituras individuais com o coletivo fomenta a construção cénica. Abrindo-se um espaço de pesquisa e de partilha, experimenta-se a criação teatral e as suas dinâmicas.

Oficina Verão no Teatro
de 3 a 14 de julho

Há um artista em cada um de nós? Estas oficinas, conduzidas pela companhia Mundo Razoável, pretendem despertá-lo, ao mesmo tempo que estabelecem ligação com os temas dos espetáculos em cena. Nas férias do Natal, toma-se como ponto de partida o livro de Miguel Granja, Simão Sem Medo, que serve de inspiração ao espetáculo Sem Medo. Na Páscoa, são as interrogações sobre justiça e injustiça, levantadas na peça Uma Ideia de Justiça, a serem trabalhadas. No verão, as férias em família dão o mote para os exercícios a desenvolver. Durante cinco dias seguidos, cada participante é desafiado a dar asas às suas fantasias através de disciplinas artísticas, como a interpretação, a música, a ilustração ou o movimento. As oficinas terminam com uma pequena apresentação, aberta à família e amigos.

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