Revista Sabe Bem 63

Erros e dicas na hora de deitar o seu filho

Erros e dicas na hora de deitar o seu filho

O sono é dos maiores fatores de risco para uma família. A privação de sono contribui para um enorme aumento de problemas de saúde, não só nos pais, mas também nos bebés e crianças, assim, como promove, de forma assustadora, os conflitos entre os membros da família.

Vivenciei durante anos, na casa das famílias, estas consequências de uma forma tão forte e intensa que foi, para mim, fundamental procurar uma solução para que as horas de deitar e de sono fossem efetivamente boas, harmoniosas e ajudassem toda a família ao longo do dia. Como? Ajudando os bebés e as crianças a dormirem de forma autónoma. As centenas de famílias, que já tive o gosto de ajudar, são a prova viva de que funciona e resulta a 100%. A Sociedade de Pediatria do Neurodesenvolvimento também recomenda que bebés e crianças aprendam a dormir de forma autónoma.

Conheci várias famílias com este dilema, contudo, há histórias que nos marcam muito. A mãe de uma das famílias que me contactou estava muito triste e deprimida. Confessou-me até que estava a tomar antidepressivos. Era mãe há 3 meses e sentia que a sua vida lhe tinha sido retirada com o nascimento do seu filho. Estava a sofrer de privação de sono severa e, além disso, como o Simão não dormia sem ser no colo, não conseguia sequer, muitas vezes, ir ao wc ou tomar um banho. Esta família estava à beira da rutura e a precisar de ajuda. Acompanhar esta família na sua recuperação foi muito especial. O bebé dormia sestas boas e noites maravilhosas, no seu berço, enquanto a mãe ganhou vida, tempo, espaço também para ela e deixou de tomar os antidepressivos. A mudança foi surreal. Ensinar o Simão a adormecer sem a ajuda dos pais foi um desafio muito compensador.

Thomas Paine disse: “o facto de continuarmos a pensar que uma determinada coisa não é errada dá-nos uma aparência superficial de estarmos certos”. Por isso, refiro-me agora à palavra “erro”, pois há de facto alguns erros que vamos cometendo ao longo do tempo que acabam por se traduzir em noites mal dormidas, mais cedo ou mais tarde, tais como:

  • O uso excessivo de ecrãs;
  • O acreditarmos que “quanto mais cansado melhor dorme”;
  • O facto de encararmos a privação do sono como parte da maternidade;
  • A ausência de uma rotina;
  • Ajudar o bebé a adormecer.

Começo, assim, com o uso excessivo de ecrãs, que representa um dos mais comuns. A tendência é para colocar ecrãs à frente dos bebés e crianças precisamente antes da hora de dormir. O que é muito prejudicial para o sono porque funciona como um obstáculo para a produção da melatonina, hormona responsável pelo sono.

Então, como evitamos esta realidade? Não é nada difícil. É dizer “não! Agora não!” e estipular, por exemplo, um horário e um timing de princípio e fim para ver bonecos, jogar, ou fazer seja o que for nos ecrãs. Acreditem que todos vão agradecer isso acontecer. É necessário e é essencial que essa mudança aconteça aí em casa, se for este o caso. Coragem! 

Quanto à “velha máxima” do “quanto mais cansado, melhor dorme”, é, totalmente, uma enorme falácia. Muitas atividades, muita agitação, quanto mais melhor, deitar tarde, tudo para que durma sem acordares noturnos ou, até mesmo, para acordar mais tarde de manhã. Não acontece! É mito. Um bebé ou criança cansada tem tendência a dormir muito pior, mais agitada e menos horas do que uma criança que tem uma boa relação com o sono e com a sua cama. “Quanto mais descansados, melhor eles dormem.” – este, sim, é o mantra a utilizar a partir de agora!

Contudo, aquilo que eu sinto, muitas vezes, é alguma falta de conhecimento sobre a quantidade de horas que poderá ser expectável e saudável o nosso filho dormir. Qual o número de horas ideal nesta fase e ou idade? E esta é a minha dica aí para casa: haver uma percepção mais clara destes tempos faz toda a diferença para a gestão de sonos.

Ora tire nota:

  • 1 aos 3 meses: 15-17 horas
  • 4 aos 11 meses: +/- 15 horas
  • 1 aos 3 anos: +/- 14 horas
  • Até aos 6: +/- 13 horas

Outro erro vem a propósito de se acreditar que a privação do sono está intimamente ligada a ser mãe ou ser pai. Haverá dias que sim, sem dúvida, se o bebé ou criança estiver doentinho, por exemplo. Ou então naqueles 3 primeiros meses em que de facto o bebé precisa de acordar para comer. Caso contrário, e as famílias com quem trabalho são o exemplo disso, a privação de sono é opcional e esta é a grande dica.

Não é suposto que se fique durante meses, e muitas vezes anos, sem se dormir, muito menos que os nossos filhos venham causar tamanha destruição nas nossas vidas. Não, de todo.

Mas, por vezes, acreditamos que sim e que isso faz parte e, por isso, tem de ser assim. “Temos de ter paciência, temos de aguentar, foi a vida que escolhemos.” Não! Não! E não! A privação de sono nada tem a ver com ser mãe e ser pai. É possível, sim, que os nossos bebés e crianças descansem durante 12h nos seus berços sem chamar, sem acordar, sem chorar, sem embalos, ou maminhas.

Precisamos de acreditar nisto e procurar a solução, isso é fundamental. É um começo incrível na jornada de noites felizes e descansadas.

No que diz respeito à ausência de rotina, é importante ressalvar que os bebés e as crianças, ao contrário do que se possa pensar e dizer, adoram saber o que se vai passar a seguir. Saber qual é o próximo passo é muito importante para elas e ajuda-as a tranquilizarem-se.

A ausência de rotina provoca desorientação, ansiedade e, muitas vezes, incapacidade de se adaptar às novas situações. Com o sono não é diferente e as crianças precisam de perceber concretamente quando “são horas de dormir”. Como é que resolvemos isto? A dica é criar uma rotina clara e simples na hora de deitar. Para que fique claro e sem surpresas o que está e vai acontecer. Por isso, sugiro, para uma boa rotina de sono, a seguinte ordem de ações: depois de comer, tomar um banho, vestir o pijama, seguindo-se a rotina do sono. Começamos por ler uma história ou cantar uma canção, dependendo também da idade, desligamos as luzes, damos um beijinho e um abraço e vamos deitá-lo.

O erro mais importante e urgente de resolver é o de ajudar o seu filho a adormecer, quer seja com colo, embalo, maminha, biberão, de carrinho, no carro em andamento, ou, até mesmo, porque “tem de ficar no quarto com ele(a)”.

Quando os bebés e ou crianças adormecem com ajuda, eles acordam muitas vezes de noite, têm um sono mais agitado e em alerta, dormem muito menos horas do que seria o ideal, resistem muito contra o sono e, por isso, os readormeceres são difíceis, e os adormeceres duros e com lágrimas à mistura. Habitualmente, a hora de dormir é dramática e saturante para todos.

A dica é ensiná-lo a adormecer sozinho. Esta é a fórmula e a forma de realmente ajudarmos o nosso filho a descansar bem, para se desenvolver bem, quer emocionalmente, quer fisicamente. Dormir é vital para a sua vida. E para a nossa também, especialmente agora que temos filhos! É quando devemos ter ainda mais energia e vitalidade, estarmos mais atentos e concentrados.

Como defende a Sociedade de Pediatria do Neurodesenvolvimento “é fundamental que a criança adquira desde cedo a autonomia para adormecer, isto é, que seja capaz de adormecer sem a presença ou interferência de um adulto”.

Sejam felizes e descansados em família!

Carolina Vale Quaresma
Terapeuta e profissional das “Conversas com Barriguinhas”

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