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“Eram mais chefes do que índios”: Menezes reduz direção da Águas de Gaia e prepara viragem total

“Eram mais chefes do que índios”: Menezes reduz direção da Águas de Gaia e prepara viragem total

A Câmara de Vila Nova de Gaia avançou com uma reestruturação profunda na Águas de Gaia, poucos dias depois de cancelar o contrato de recolha de resíduos sólidos urbanos. Luís Filipe Menezes afirmou esta segunda-feira que a empresa municipal tinha “mais chefes do que índios” e garantiu que, “em 48 horas”, passou “de 40 chefes para quatro ou cinco”, num movimento que descreve como essencial para “contenção de custos e maior eficiência”.

O autarca apresentou as conclusões de um levantamento interno à empresa, que descreveu como estando numa “situação financeira má”. Segundo Menezes, a Águas de Gaia depende de “um subsídio anual da câmara de oito milhões de euros” e acumula “passivo financeiro bancário de perto de 30 milhões”, o que considera incompatível com o investimento recente numa nova sede orçada em 12 milhões de euros, enquanto trabalhadores operacionais continuam “em contentores espalhados pelo concelho”.

Segundo o JN, para apoiar a reestruturação, Menezes convidou o engenheiro Poças Martins para um contrato anual de consultadoria, reforçando a administração liderada por Fernando Barbosa. O objetivo, afirmou, é recolocar a Águas de Gaia como “a melhor empresa municipal do país”.

Cortar custos, rever contratos e repensar tarifas

Luís Filipe Menezes sublinhou que espera alcançar reduções de despesa “daqui a pouco tempo, dois, três meses no máximo”, defendendo que, quando for lançado um novo concurso para a recolha de resíduos sólidos urbanos, poderá haver margem para “caminhar no sentido de poupanças”. No entanto, evitou comprometer-se com datas para uma eventual descida das tarifas.

Recordando o seu anterior mandato, o autarca afirmou que deixou uma empresa “muito equilibrada e lucrativa”, que chegou a realizar “obras que transcendiam o tradicional de uma empresa de águas”. Hoje, diz, essa realidade mudou: “a empresa que dava lucro passou a depender de um subsídio anual”.

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Segundo Menezes, os encargos com empresas externas como SUMA, SULDOURO e SIMDOURO dispararam entre 2020 e 2025, registando “aumentos que chegam a atingir os 350%”. Este crescimento, afirmou, “tem que ter uma explicação”. Sem esses aumentos, defendeu, as tarifas de água, saneamento e resíduos “seriam muito menores”.

O autarca criticou ainda o concurso público lançado pelo anterior executivo para a recolha de resíduos, com um valor total de 510 milhões de euros. “Espanta-me que ninguém fique indignado quando se lança um concurso… que ia custar 50 milhões de euros por ano”, afirmou, alertando que isso poderia levar os gaienses a pagar “150 ou 200 ou 250 euros por mês de resíduos”. Menezes disse apoiar-se na avaliação de “técnicos reputados” que estimaram o custo real do serviço em “20 a 22 milhões de euros”.

“Acreditamos no milagre do engenheiro Poças Martins”

A aposta na consultadoria de Poças Martins, a quem Menezes chamou “Cristino Ronaldo nestas questões”, pretende acelerar as mudanças. O engenheiro afirmou aos jornalistas que o plano de atuação “já está perfeitamente definido”.

“Os custos vão ser reduzidos, vamos rever a situação da sede, vamos prestar o serviço de melhor qualidade a custos muito mais baixos, vamos acabar com a ‘mesada’ e vamos procurar baixar as tarifas logo que possível”, garantiu.

A prioridade, acrescentou, passa também por melhorar as condições dos trabalhadores: “vamos procurar, com aquilo que poupamos, melhorar a sua situação, já que são eles que dão o litro no terreno”.

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