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Deve um artista viver só da arte? Somos todos capazes de o fazer?

Deve um artista viver só da arte? Somos todos capazes de o fazer?

A pandemia revelou algo que todos, de uma forma ou outra, já sabíamos: os artistas e técnicos audiovisuais têm um modo de vida muito precário.

A vida de artista nunca foi bem-encarada pelas famílias, querendo sempre que tenham um emprego “a sério”. Há outras razões culturais para isso, mas também porque é realmente muito difícil viver apenas da arte. É uma profissão incerta, com uma época alta (geralmente o verão) e muitas épocas baixas. Exige muito esforço e disciplina e nunca, excetuando alguns casos, dá estabilidade financeira. No entanto, para muitos, é um trabalho de amor.

Faço parte de uma pequena comunidade de artistas, bailarinas de dança oriental, e bato palmas a todos que decidem viver apenas da arte. Eu não sou capaz. Sou bailarina de dança oriental profissional, porque me pagam pelo meu trabalho, mas tenho outra profissão.

Há discussões sobre se me posso apelidar de profissional se não vivo apenas da dança. Na minha opinião, posso e devo. Ensaio, pesquiso, promovo, despendo horas do meu dia, diariamente, à dança. Empenho-me da mesma forma, todos os dias, nas minhas duas profissões. Eu tenho duas profissões, sou profissional em duas áreas absolutamente distintas, pelas quais sou paga. E esse facto faz-me apreciar ainda mais cada uma delas, tornando-me mais completa. Por incrível que possa parecer, a combinação das duas torna-me uma melhor profissional.

Por isso, sejam artistas se o desejarem, trabalhem como artistas em exclusividade se o quiserem, mas não se sinta menos se quiserem fazer algo mais. Se quiserem ter duas atividades, não serão “menos que os outros”. São apenas mais versáteis, não menos empenhados e, muito menos, piores artistas ou, algo que me irrita, “apenas amadores que recebem uns trocos”.

A arte é para todos aqueles que a amam e todos têm direito de ser artistas.

Luísa Soares        

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