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De autoestrada a espaço urbano: visão inovadora para a VCI no Porto

De autoestrada a espaço urbano: visão inovadora para a VCI no Porto

Um projeto académico que propõe reconverter a Via de Cintura Interna (VCI) numa infraestrutura multifuncional e mais humana valeu à arquiteta Marcela Percú a nota máxima na sua dissertação de mestrado e uma nomeação para os prémios europeus EUmies 2025, na categoria Jovens Talentos da Arquitetura.

A proposta, intitulada “Pelas margens da Via de Cintura Interna: Uma proposta regenerativa para o tecido urbano no Porto”, foi orientada por Teresa Calix, professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), e obteve a classificação final de 20 valores.

Marcela Percú defende que a VCI, frequentemente encarada como uma barreira ou fonte de congestionamento, deve ser vista como um ativo estratégico de acessibilidade urbana. A ideia passa por diversificar os usos da infraestrutura, promovendo uma “progressiva redução de velocidade”, a introdução de transporte público, espaços para bicicletas e peões, e a requalificação das suas margens.

“Acho que é mesmo uma questão de perspetiva, porque muitas vezes estamos a olhar a VCI como um problema, e a VCI é uma oportunidade”, afirmou a investigadora citada pelo Porto Canal.

A proposta rejeita visões extremas contra o automóvel e defende antes o alargamento de funções da VCI, promovendo maior liberdade de escolha na mobilidade urbana. Segundo a autora, a reconversão permitiria que o espaço, atualmente exclusivo ao transporte automóvel, passasse a servir também os modos suaves e coletivos, mitigando os impactos ambientais e sociais.

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A curto prazo, o projeto sugere a desclassificação da VCI como autoestrada, a sua remoção do sistema rodoviário regional e nacional e a transferência de gestão para o município. As ações propostas passam por requalificar as margens com zonas verdes, passadeiras, transporte público e ligações pedonais mais seguras. Exemplo disso é a zona do Regado, onde a autora identifica espaço disponível para criar conexões que aproximem os dois lados da via.

A médio e longo prazo (até 2060), a proposta inclui intervenções estruturais como a criação de centros intermodais, a introdução de um metrobus na faixa central, o tamponamento parcial da via e a construção de túneis, libertando a superfície para usos diversos. Os atuais nós rodoviários poderiam dar lugar a novos quarteirões urbanos, integrando habitação, espaços públicos e equipamentos.

O projeto inscreve-se também no contexto do projeto de investigação STREET – Street Transformations, Rebalancing Ecology and Environment issues in Urban Territories, da Universidade do Minho, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Foi apresentado em junho na conferência internacional The Future Design of Streets, em Guimarães.

Além da dimensão urbanística, a proposta sublinha que a VCI representa um património coletivo cuja manutenção é financiada por todos, mas atualmente usufruído apenas pelos automobilistas. Assim, defende que a Infraestruturas de Portugal (IP), enquanto gestora da via, deve contribuir para a reconversão da mesma, como forma de compensação pelos impactos ambientais e urbanos gerados.

Entre os objetivos estratégicos estão a valorização das ribeiras e áreas verdes, o reforço da permeabilidade ecológica e social, e o equilíbrio entre oferta habitacional e equipamentos, tornando o território mais resiliente e acessível.

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