O Mestrado Integrado em Medicina da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) arrancou com 40 alunos, um tutor atribuído a cada estudante e contacto direto com doentes já a partir do primeiro ano, avança a Lusa. Os primeiros alunos do curso visitaram esta manhã as instalações da academia, em Vila Real, onde vão ter aulas.
Alunos destacam acompanhamento próximo e contacto precoce com a prática
Afonso Sousa, de 19 anos e natural de Famalicão, admite que o modelo de ensino o surpreendeu: “Foi uma surpresa chegar cá e aparecer um projeto novo, com um método de ensino também novo. Com um contacto com os doentes logo no primeiro ano, com um acompanhamento muito mais perto dos alunos, o que, claro, acaba por ser benéfico no nosso percurso, na nossa jornada académica”. Para o estudante, a UTAD não foi propriamente a primeira opção, mais por questões de deslocação do que pelo método de ensino, mas garante levar consigo grande expectativa.
Já para Bruna Oliveira, de 18 anos e residente em Borbela, Vila Real, a academia transmontana foi mesmo a primeira escolha. “Na UTAD, porque não? Acho que o curso tem muita potencialidade e foi a minha primeira escolha”, afirmou, apontando o “contacto com a prática” como fator decisivo. A jovem quer continuar em Vila Real depois de terminar o curso, numa região do interior onde a falta de médicos é recorrente: “Se fosse para sair tinha que ter sido agora, não era fazer o curso cá e ir para fora”.
Última vaga preenchida com 18,18 valores
As 40 vagas do Mestrado Integrado em Medicina ficaram preenchidas logo na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA), com o último estudante colocado a apresentar uma classificação de 18,18 valores. Ao todo, são 40 alunos, 40 tutores — um por aluno — e 113 professores, dos quais 95 exercem também medicina na Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), parceira do projeto.
Mesa anatómica virtual e salas de simulação em preparação
Numa das salas do edifício da biblioteca foi já instalada uma mesa anatómica virtual, um dos pontos de partida do curso. “Permite que os alunos aprendam anatomia de uma forma muito mais interativa, porque o sistema permite que façamos uma visão em multicamadas das estruturas anatómicas”, explicou Pinto de Sousa, diretor do curso de Medicina, sublinhando tratar-se de “uma abordagem completamente diferente” que garante “maior rentabilização do tempo” dos alunos. Está ainda a ser preparada uma sala de realidade imersiva, com recursos de realidade virtual e aumentada, na UTAD, bem como uma sala de simulação no hospital de Vila Real.
Turmas reduzidas e contacto clínico desde o primeiro ano
Segundo Pinto de Sousa, o curso assenta num número reduzido de alunos, o que permite um acompanhamento individualizado, com o tutor a acompanhar cada estudante ao longo dos seis anos de formação. “O outro pilar é o contacto muito precoce com a realidade local”, frisou o diretor, que pretende dar aos alunos “uma visão dos problemas da população local” e um “contacto precoce com a clínica”. Ao contrário de estruturas mais convencionais, que só permitem o contacto com a parte clínica, enfermaria e doentes na segunda metade do curso, o modelo da UTAD proporciona essa aproximação desde o início: durante nove semanas por ano letivo, cada aluno acompanha o tutor médico, o que corresponde a cerca de três a quatro horas diárias de contacto com a realidade clínica. “Interação com a clínica e integração muito precoce. E no futuro, quando estivemos na parte das rotações clínicas da segunda metade do curso, eles vão fazer parte integrante da equipa clínica”, apontou.
21 municípios envolvidos no apoio a alojamento e mobilidade
O projeto conta com a colaboração de 21 municípios dos distritos de Vila Real e Viseu, que vão apoiar os estudantes com alojamento e mobilidade durante rotações ou colocações em unidades de saúde da ULS.
“Ninguém pode garantir 100%”, mas curso pode ajudar a fixar médicos
Questionado sobre se este curso, sediado no interior do país, pode contribuir para fixar médicos na região, Pinto de Sousa respondeu: “Ninguém pode garantir 100% isso, mas pode”. Segundo o diretor, conhecer a realidade e os problemas locais, e trabalhar com a região desde o início, pode funcionar como incentivo à fixação dos futuros profissionais.
Vice-reitor fala em “momento feliz” para a universidade
“Se a universidade conseguisse fazer isso, transformar este curso numa grande oportunidade de fixar profissionais aqui, era uma coisa absolutamente extraordinária”, afirmou Levi Leonido, vice-reitor para a Cooperação, Cultura e Comunicação, para quem a proximidade entre alunos e realidade local é “uma marca distintiva” da UTAD, conferindo ao curso uma “matriz até territorial”.
O Mestrado Integrado em Medicina foi acreditado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) por um período condicional de dois anos, o que se traduz em anos de trabalho intenso para a academia e para a ULS. Leonido adiantou que as salas atualmente utilizadas pelos estudantes são transitórias, estando prevista a construção de um edifício dedicado à área da saúde, além de um investimento de cerca de um milhão de euros para requalificar o edifício da biblioteca. “Acho que isso tudo vai ajudar imenso a que a universidade também possa ser melhor e mais exigente até noutras áreas. Acho que isto puxa por nós, por todos. Acho que é um momento feliz para a universidade”, frisou.
UTAD coloca 1.535 estudantes na primeira fase do CNA
No conjunto da instituição, a UTAD preencheu a totalidade das vagas em 24 dos 38 cursos a concurso na primeira fase do CNA 2026/2027, colocando um total de 1.535 estudantes. Após esta fase, ficaram disponíveis 256 vagas para a segunda fase do concurso.