Revista Sabe Bem 63

Cultura em tempos de pandemia

Cultura em tempos de pandemia

O impacto desta pandemia que surge na Europa em inícios de Março de 2020, rapidamente se fez sentir por todo o Mundo, e se hoje abordamos a sua influência na Cultura, é porque foi efectada de uma forma macro, e cada vez mais impactante, a nível social, económico ou político.

A realidade com que o sector da Cultura se depara, nos dias que correm, afecta todas as actividades públicas e os seus intervenientes. Se se pode considerar que artes como a Literatura ou as Artes plásticas e digitais não foram excessivamente prejudicadas quanto à criação- foram-noenormemente na sua apresentação e divulgação, sobretudo as actividades colectivas como o Teatro, Bailado, Artes performativas, Música, todas artes dependentes da produção e execução do trabalho em público de artistas e criativos , todos de mãos atadas face aos sucessivos confinamentos a que temos sido sujeitos.

À medida que as semanas de isolamento se mantêm, a Cultura continua a deparar-se com as portas fechadas, criando situações de falências continuadas, no fundo, um cemitério da cultura viva até aqui existente, sobretudo a criada por agentes independentes do Estado.

De uma forma tímida, eu diria quase sarcástica, e dado a indústria da cultura ter sido uma das primeiras a reagir ao ser atingida pela pandemia, vários foram as entidades privadas e o Estado que se uniram para “ajudar” a contornar o eventual mediatismo do seu impacto público. Mas esses apoios, se uns foram confortáveis para as entidades dependentes do Estado, e sobretudo para pagar salários, os apoios destinados às entidades independentes, para além de absurdamente ridículos há muito, chegam muito tardiamente e não abrangem muitos sectores, por exemplo, os que dependem das actividades artísticas públicas como são todas aquelas que trabalham em áreas técnicas e suas empresas.

O panorama da Cultura é uma imagem clara de práticas culturais totalmente suspensas, eventos cancelados, instituições culturais fechadas e artistas e criativos incapazes de poder trabalhar. O impacto financeiro é obviamente terrível deixando um sector, dos mais importantes de um país, completamente destroçado.

Com algumas das “aberturas” que foram surgindo durante a pandemia, aqui e acolá, foram organizados timidamente alguns poucos eventos. Pequenos concertos, lançamentos de filmes com pouco impacto, diga-se, ou peças de teatro emergentes de companhias que lutam pela sobrevivência, integrantes do conjunto de eventos da agenda cultural que pontualmente vai surgindo anunciado. Mas o que vemos é que a grande maioria dos promotores de espectáculos continua a anunciar adiamentos, ou mesmo cancelamentos, sobretudo de grandes eventos.

Deixei no início deste texto uma frase que referia a “cultura digital”. Este tem sido um setor que cresceu, e muito, ou não estivessem as pessoas confinados em frente dos seus computadores (!). Existe assim um aumento de iniciativas digitais que leva conteúdos culturais até às casas das pessoas, demostrando desta forma, o seu papel fundamental como fonte de resiliência para todos.

Em consequência da pandemia, para além do já existente acesso online e gratuito a inúmeras bibliotecas e museus que assim podem ser visitados, também a emissão em streaming de peças de teatro ou concertos mantiveram vivos a Cultura, através das televisões, tabletes, computadores e até telemóveis, ainda que por meio de atuações indirectas nessas plataformas digitais. Torna-se assim importante realçar o trabalho de empresas e profissionais independentes que desenvolvem estas actividades pelo mero prazer de intervirem no seio do Mundo de hoje, sem que daí tirem qualquer apoio financeiros.

A Cultura é um sector que, tanto nos tempos de hoje como naqueles que se seguirão no contexto pós-pandemia, precisará de apoios imediatos para se restabelecer. E se o Estado se lembra dos seus teatros, companhias de bailado, orquestras, museus e até fundações e lhes garante continuidade através dos apoios necessários, o mesmo terá de fazer aos independentes, dos quais depende 80% da Cultura deste país.

Mário Dorminsky
Jornalista

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