A Câmara do Porto quer mudar a forma como se circula na Rua de Costa Cabral, num dos troços mais movimentados da cidade, entre a Praça do Marquês de Pombal e a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra. A proposta, apresentada esta quarta-feira, 18 de março, surge na sequência de várias queixas de moradores e utilizadores, que têm alertado para a insegurança rodoviária naquela zona.
A solução passa pela criação de um canal único partilhado, eliminando a separação tradicional entre faixa de rodagem e passeio. Na prática, peões e automóveis passam a circular ao mesmo nível, numa lógica de espaço partilhado, com limite de velocidade fixado nos 30 km/h.
Segundo a autarquia, o objetivo é claro: acalmar o trânsito, melhorar as condições de circulação pedonal e resolver constrangimentos logísticos numa rua marcada por estacionamento irregular e conflitos entre diferentes usos.
A intervenção, que deverá avançar no segundo semestre deste ano, terá carácter experimental e temporário, podendo ser ajustada em função dos resultados.
Mais espaço para peões e menos área para carros
Com esta reorganização, a área dedicada aos peões aumenta significativamente, passando para 2730 metros quadrados, mais 1010 m² do que atualmente. Já o espaço destinado à circulação automóvel será reduzido para 2130 m², menos 1570 m².
Para responder a problemas recorrentes de cargas e descargas, estão previstas 13 bolsas de estacionamento específicas, numa tentativa de reduzir o estacionamento em segunda fila, frequentemente apontado como um dos principais fatores de congestionamento na via.
Zonas “kiss and drive” e novas plataformas para autocarros
A proposta inclui três zonas de paragem rápida, conhecidas como “kiss and drive”, pensadas sobretudo para contextos de grande afluência, como escolas. Nestes pontos, os veículos poderão parar por períodos muito curtos, idealmente com o condutor dentro do carro, para largar ou recolher passageiros.
Outro dos elementos previstos são duas plataformas bus, reentrâncias que permitem aos autocarros parar fora da faixa de circulação, facilitando o embarque e desembarque sem perturbar o trânsito.
Medida experimental gera dúvidas entre moradores
A apresentação pública da solução decorreu no auditório do Perpétuo Socorro, com a presença da vice-presidente da autarquia, Catarina Araújo, e reuniu dezenas de participantes. Apesar de alguns aplausos à intenção de intervir, várias vozes consideraram a proposta insuficiente, defendendo medidas adicionais como lombas redutoras de velocidade, reforço da fiscalização e o alargamento da intervenção a outros troços da rua.
A Câmara do Porto não avançou, para já, com uma estimativa de custos, sublinhando que se trata de uma intervenção de baixo impacto, sem obras estruturais.