Rui Moreira disse não querer “ter ali um museu, em que fingimos que o mercado ainda existe. Gostava de ter andado mais depressa, mas quis garantir [para o mercado] um espírito consequente com o futuro”.
O assunto foi debatido, esta terça-feira, numa reunião extraordinária pública em que o executivo ficou a conhecer os detalhes do procedimento, que terá o preço base de 25 milhões de euros e prazo de execução de 24 meses.
“Vai ser uma obra dupla, para reabilitar o próprio mercado de frescos e para reabilitar a monumentalidade do mercado, que está perdida e ninguém fez nada para a recuperar”, disse ainda o autarca.
Durante a sessão, o presidente da Câmara mostrou abertura para estudar, com os comerciantes das lojas exteriores do mercado, alternativas ao mercado temporário que vai ser instalado no centro comercial La Vie.
“Não tenho lojas de rua para oferecer. Se encontrarem uma loja que achem ser uma melhor alternativa ao La Vie, proponham”, disse o autarca, em resposta às preocupações manifestadas por alguns comerciantes das lojas exteriores do Bolhão presentes na sessão.
Rui Moreira frisou que todos os comerciantes vão ter de sair do imóvel durante as obras, até por questões de segurança, e recusou fazer a obra faseadamente, porque “demoraria uma eternidade”.
O autarca independente assegurou que o futuro Bolhão “não vai ser concessionado”.
“Haverá lugar à atividade privada, num espaço que é municipal”, descreveu.
De acordo com o vereador do Urbanismo, Manuel Correia Fernandes, o Bolhão “tem de ser uma instituição da cidade”.
“É isso que estamos a construir: uma cidade em que as pessoas contam mais. Este projeto não pode deixar de ser o dessa instituição, que vai muito além do espaço que abastece a cidade”, disse.
“O projeto anterior é do século passado. Não fomos nós que metemos o projeto do arquiteto Joaquim Massena na gaveta. Mas não o queremos porque hoje não faria sentido”, respondeu Rui Moreira.
Pedro Carvalho, da CDU, recusou a ideia de que, nos últimos 20 anos, nada se tenha feito em relação ao Bolhão.
O comunista quis dar ao executivo um “voto de confiança” de que “este arranque do projeto seja cumprido”.