Três décadas depois da mobilização popular que impediu a venda do Coliseu do Porto, a emblemática sala de espetáculos prepara-se para uma intervenção estrutural profunda, com um investimento superior a três milhões de euros, de acordo com a SIC Notícias. O anúncio foi feito esta segunda-feira, 4 de agosto, pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), precisamente no dia em que se assinalam os 30 anos da refundação do Coliseu.
A intervenção, que visa melhorar as condições de conservação, segurança, acessibilidade e sustentabilidade ambiental, inclui também a criação de um novo espaço turístico e de um miradouro com vista panorâmica sobre a cidade do Porto.
Segundo a CCDR-N, trata-se de “um momento simbólico para uma infraestrutura cultural que é, há décadas, referência incontornável na vida artística da Região Norte e do país”, destacando o caráter transformador desta obra, que permitirá “reforçar o compromisso coletivo com o futuro do Coliseu, atualizando as suas condições técnicas e funcionais sem comprometer o seu valor histórico e identitário”.
A requalificação deverá também ter impacto direto no número de visitantes. De acordo com as estimativas avançadas, a intervenção poderá gerar um aumento de 40% nas visitas ao Coliseu do Porto.
No mesmo dia, recordou-se o momento determinante que, em 1995, garantiu a sobrevivência do espaço. Um protesto espontâneo juntou milhares de pessoas na Rua de Passos Manuel, impedindo a venda do edifício à Igreja Universal do Reino de Deus.
“Uma manifestação absolutamente espontânea, vital, com uma urgência inacreditável, se calhar impensável nos dias de hoje. A Rua Passos Manuel encheu-se de gente de todas as idades e classes”, lembrou Miguel Guedes, atual diretor do Coliseu.
O anúncio da reabilitação surge integrado nas comemorações do 30.º aniversário da Associação dos Amigos do Coliseu, que incluem ainda o lançamento de um livro do jornalista Valdemar Cruz e um concerto evocativo no dia 30 de outubro, com nomes como Sérgio Godinho, Pedro Abrunhosa, GNR, António Pinho Vargas e Óscar Branco.