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Cidades portuguesas já sentem os efeitos das alterações climáticas

Cidades portuguesas já sentem os efeitos das alterações climáticas

Porto, Braga, Guimarães, Ovar, Torres Vedras, Lisboa e Cascais são algumas das cidades portuguesas que estão já a sentir os efeitos ou riscos das mudanças no clima, revela o estudo Cidades em Risco.

A investigação é da organização não governamental Carbon Disclosure Project (CDP), com sede no Reino Unido e que procura apoiar empresas e cidades a gerir os impactos ambientais provocados pelas alterações climáticas.

Segundo o estudo, “70 por cento das cidades globais já estão a sentir os impactos das mudanças climáticas, que, sem controle, sujeitarão as populações a riscos e sofrimentos incalculáveis, empurrarão os serviços já em dificuldades e prejudicarão os esforços do governo da cidade para proteger seus interesses”.

O relatório baseia-se em dados de 2018 relativos a 620 cidades de todo o mundo. Dessas, 530, representando uma população de 517 milhões de pessoas, dizem estar a ter problemas relacionados com as alterações climáticas como com inundações (71%), calor extremo (61%), e secas (36%). As cidades relatam ainda riscos sociais associados, como o aumento das dificuldades para populações vulneráveis, aumento da procura de serviços públicos, como a saúde, e aumento dos casos de doenças.

O estudo publicou um mapa final que expressa os riscos, e que pode ser consultado online. No que se refere às cidades portuguesas, vemos riscos relatados como vagas de calor, seca, possibilidade de subida de rios, fogos florestais, entre outros.

Os dados do CDP mostram que apenas 336 das cidades (54%) estão a avaliar as vulnerabilidades e a calcular a capacidade de resposta e adaptação aos riscos.

Segundo aponta o documento, as cidades que estão a avaliar as suas vulnerabilidades têm duas vezes mais hipóteses de identificar riscos de longo prazo e quase seis vezes mais possibilidade de executar ações de adaptação.

Entre as medidas que as cidades estão a tomar incluem-se ações como a defesa contra inundações e a gestão de crises, incluindo sistemas de alerta e de evacuação. No entanto, segundo o documento, 46% das cidades disseram que não estão a tomar qualquer medida, incluindo 41% das cidades que dizem que já sentem os efeitos das alterações climáticas.

Até 2050, oito vezes mais moradores das cidades estarão expostos a temperaturas elevadas e mais 800 milhões de pessoas podem estar em risco devido à subida das marés e a tempestades, refere-se no documento.

“Das inundações aos incêndios florestais, os impactos das mudanças climáticas já se estão a fazer sentir nas maiores cidades do mundo. As alterações climáticas, se não forem controladas, anularão muitas das conquistas económicas e sociais testemunhadas pelas cidades nas últimas décadas. É vital que as cidades tomem medidas para construir resiliência e para proteger os seus cidadãos do aumento dos impactos da mudança do clima. Todas as autoridades das cidades devem fazer avaliações abrangentes de vulnerabilidade”, disse Kyra Appleby, diretora para as Cidades, Estados e Regiões do CDP, citada no relatório.

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