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“Cenas à Moda do Porto”: o novo livro de João Carlos Brito que tem mesmo de ler

Falar em João Carlos Brito é falar num autor que escreve, personifica e respira tudo aquilo que é a cidade do Porto. Afinal de contas, este defende que há dois tipos de pessoas: as que amam a cidade do Porto e as que ainda não o descobriram.

No livro “Cenas à Moda do Porto”, o autor fala de uma forma divertida sobre inúmeras expressões bem conhecidas do nosso vocabulário, contadas com um carinho à Invicta que está presente em cada palavra. Em conversa com a VIVA!, João Carlos Brito explica o que podemos esperar deste novo trabalho.

O João Carlos Brito é conhecido pela sua relação com as palavras, em particular com aquelas referentes ao Porto. O que o atrai tanto nesta nossa forma de falar?

Desde muito cedo que as palavras e os seus múltiplos sentidos me interessam imenso. Não consigo precisar quando começou esse “vício”, mas seguramente que foi muito cedo. Desde o tempo em que, ainda canalha, me interrogava sobre a origem das toponímias e não descansava enquanto não conseguisse construir palavras com as letras das matrículas dos automóveis, sempre que andava a butes ou de cu tremido. A esta paixão, rapidamente juntei a que orgulhosamente tenho pelo Porto, que se manifestou sobretudo a partir do momento em que tive que me ausentar da cidade por motivos de estudo, primeiro, e profissionais, depois. Não sei que sensação haverá de mais satisfatória do que a de regressar ao Porto. É algo que só quem é tripeiro consegue explicar. E, afinal, só nós temos tantos e tão maravilhosos significados que criámos a partir do vocabulário português.

O que é que acha que o público pode esperar deste “Cenas à Moda do Porto”?

Pode, claro, esperar um livro divertido, pois essa é uma característica que procuro manter nos trabalhos que publico. Acho que podemos aprender coisas sérias também a brincar. Enquanto professor, é isso igualmente que procuro fazer. Esta é a história de um pouco recomendável moina do Porto, um dia na “bida” do gaijo, em que muitas peripécias divertidas vão acontecendo. Cada hora é um capítulo e, no final de cada hora, existe a referência aos “cromos” que são utilizados. Assim, também podemos encontrar o registo de palavras e expressões marcantes e tradicionais dos portuenses dos anos 80 e “nobenta”, bem como referências a locais, figuras, objetos, enfim, o mundo do Grande Porto dos últimos 25 anos do século XX. Depois, essas palavras, expressões, personalidades, instituições e outros são remetidos para a “cardeneta” dos cromos do tripeiro dos anos 90, que está incluída nesta obra. É um “livro-cardeneta”! E os cromos existem mesmo e podem ser pedidos por qualquer pessoa!

A título de curiosidade, conseguiria explicar o processo criativo desta nova obra?

Claro que sim! E tem uma longa história. A história foi sendo escrita mesmo no início dos anos 90 e publicada semanalmente num jornal local. Depois, no início do milénio, foi compilada sem qualquer alteração e feita uma edição muito curta para amigos. Entretanto, descobri o texto no disco duro de um computador antigo, reli e achei alguma piada. Foi então que decidi refazer tudo (recauchutagem completa aos quatro pneus) e acrescentar os cromos. Na verdade, a responsabilidade deste livro é da VIVA Porto!, pois a história foi sendo publicada no início deste ano, semanalmente, e depressa recebi inúmeras sugestões de que estas “cenas” deveriam passar a livro. É um imaginário coletivo, um passado glorioso comum a muitos portuenses. Não que o tenhamos vivido, mas são referências incontornáveis que todos temos. E assim foi! Cancelámos a publicação para aí na 10.ª hora e cá temos o livro, mais a “cardeneta”! Sobre o seu conteúdo, como digo, algures, sobre “os artistas”, as “golpadas” e a “fajardice” de que se vai falando, poderá haver algumas influências na realidade. Aliás, não são poucas. Nem são muitas. São bastantes, até.

Há alguma expressão neste novo livro que o tenha encantado em particular, ao escrevê-lo?

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Como o protagonista da história é um “alto méne da naite e dos contróis”, é fácil encontrar palavras e expressões do calão tripeiro. Porque tem a ver com ele, saliento algumas: “ter um garfo nas costas”, “toura”, “afanar”, “estar feito num óito”, “cortar a ganza”… Sei lá, há tantas!

O “Cenas à Moda do Porto” inclui ainda uma caderneta de cromos. Para o público mais desatento, qual diria que é a relação entre o livro e a caderneta? Estão relacionados ou são “corpos distintos”?

É o mesmo livro. No final de cada capítulo, remete-se para os cromos, que estão numerados e, na parte final, lá estão eles. São “nobenta”, pois claro! Ou melhor, são 89, porque o 42, que é o bacalhau, não existe. Vai faltar a toda a gente, como acontecia na nossa infância. O cabrito e a cobaia, os outros dois “carimbados”, a gente ainda conseguia, trocando meia-dúzia por eles. Mas o raio do bacalhau não havia maneira de sair! De resto, todos os outros podem ser solicitados para um email, e vamos enviando os cromos, com medidas de corte. O próprio deve imprimir e, depois, colar com cola caseira feita com farinha. Se imprimir em papel autocolante, terá 70 anos de azar. Mas também pode criar os seus próprios cromos ou até desenhar e pintar de forma sugestiva! Aliás, essa é uma das Dicas do Professor Juom, que se encontram na cardeneta. Só bons conselhos, como é de calcular…

Se tivesse de definir um público-alvo, a quem diria que este livro se destina?

O público-alvo está muito bem definido. Cenas à Moda do Porto e a Cardeneta dos Cromos do Tripeiro dos Anos Nobenta só são para dois tipos de pessoas: as que amam o Porto e aquelas que ainda não descobriram que amam o Porto.

Colocamos-lhe um desafio de completar a seguinte frase: “devo comprar o ‘Cenas à Moda do Porto’ porque…”

Porque sim, carago!

Fotografias: Fb João Carlos Brito

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