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Casino da Póvoa vai mudar de cara: grupo francês prepara renovação de vários milhões

Casino da Póvoa vai mudar de cara: grupo francês prepara renovação de vários milhões

Há quatro meses à frente do Casino da Póvoa, o grupo francês Barrière prepara agora obras estruturais no edifício dos anos 30 e vai pagar ao Estado quase o dobro do valor inicialmente previsto no concurso, avança o Jornal de Notícias. Por resolver fica ainda a situação das piscinas municipais, integradas na concessão e a precisar de obras urgentes.

Pagamento anual sobe de 1,8 para três milhões de euros

O caderno de encargos previa uma contrapartida fixa anual de 1,8 milhões de euros, mas a Barrière propôs-se pagar três milhões por ano, valor entregue ao Turismo de Portugal para o desenvolvimento e promoção do turismo e para obras de interesse público no concelho da Póvoa de Varzim — o mesmo modelo que no passado financiou a Póvoa Arena ou a requalificação do Cine-teatro Garrett. A este montante soma-se um valor inicial de 33,65 milhões de euros, geridos nos mesmos moldes pelo Turismo de Portugal, mais 50% das receitas e 575 mil euros anuais destinados às instituições sociais do concelho. A concessão tem a duração de 15 anos, prorrogável por mais cinco.

“Vários milhões de euros” para reorganizar jogo e restauração

O maior desafio da concessionária é agora o projeto de renovação em profundidade do edifício, que deverá ficar concluído até 2028/2029. “O desafio maior é o novo projeto de renovação grande, que deve estar pronto até 2028/2029. Vamos fazer obras estruturais lá dentro para reorganização dos espaços de jogo e de restauração e também na fachada do edifício. Não quero, para já, falar de valores, mas serão vários milhões de euros”, explicou o diretor-geral do Casino da Póvoa, Heitor Freitas. A intenção é renovar por completo a decoração interior, apostando num ambiente mais moderno e caloroso, preservando ao mesmo tempo a fachada neoclássica dos anos 30, considerada “um dos ativos mais importantes” do casino poveiro e semelhante a outras salas de jogo da Barrière em França.

Restaurante “Nino”, poker e nova fachada já mudaram a casa

Desde a chegada à Póvoa, em maio, o grupo já abriu um novo restaurante, o “Nino”, instalou novas máquinas, apostou forte no poker e renovou a decoração da fachada. Segundo Heitor Freitas, o balanço destes primeiros meses é “muito positivo”, com o mês de agosto a superar mesmo as expectativas da concessionária.

SRIJ vai receber projeto final dentro de oito meses

De acordo com o contrato de concessão assinado com o Estado, a Barrière tem um prazo de oito meses para apresentar ao Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos o projeto final das obras, incluindo o respetivo calendário, que não poderá ultrapassar os três anos. Heitor Freitas acredita que tudo estará concluído no início de 2027.

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Piscina exterior nem abriu este ano por falta de segurança

As piscinas municipais, também integradas na concessão, precisam de obras urgentes: este ano, a piscina exterior nem chegou a abrir, por falta de condições de segurança. Depois de um levantamento feito pela Barrière, os trabalhos necessários estão orçados em 2,4 milhões de euros, e Heitor Freitas admite que o complexo “não está nas condições que estávamos à espera”.

Estado, Câmara e grupo francês ainda discutem solução

O caso está agora a ser discutido entre o Estado, a Câmara da Póvoa de Varzim e o grupo francês. O município já decidiu extinguir a empresa que gere as piscinas e o pavilhão municipal, integrando os serviços na autarquia, mas exige que sejam feitas as obras necessárias, lembrando que o edifício não lhe pertence. Por agora, o diretor-geral do Casino da Póvoa prefere não adiantar mais pormenores: “as negociações só agora começaram”.

Um edifício inspirado na Ópera de Paris, com quase um século de história

O Casino da Póvoa foi construído entre 1930 e 1934, com um imponente edifício neoclássico marcado pela influência da Escola Francesa de Charles Garnier, o arquiteto da Ópera de Paris e do Casino de Monte Carlo. Abriu ao público a 1 de junho de 1934 e foi sempre uma das âncoras do turismo poveiro. Nos últimos 58 anos, o espaço foi explorado pela Varzim Sol, inicialmente Sopete, adquirida em 1997 pelo grupo Estoril Sol.

Com a concessão a chegar ao fim, o Estado abriu novo concurso em julho de 2025 e, ao contrário do que se esperava, a Varzim Sol decidiu não voltar a concorrer. O casino mudou assim de mãos a 1 de maio, passando para as mãos da Barrière, depois de em 2025 ter faturado 27 milhões de euros.

Grupo francês soma 34 casinos e mais de sete mil funcionários

Líder na gestão de casinos em França, o grupo Barrière tem 34 salas de jogo distribuídas por França, Suíça, Egito, Costa do Marfim e, agora, Portugal. A empresa conta ainda com 200 restaurantes e bares e 21 hotéis em França, Marrocos, Estados Unidos, Suíça, Emirados Árabes Unidos e Grécia, empregando no total mais de sete mil pessoas.

Fotografia: C.M.Póvoa de Varzim
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