Centrada nas ferramentas de divulgação turística de Portugal no tempo do ditador António Oliveira Salazar, a exposição “Portugal Imaginário – Turismo, Propaganda e Poder” é inaugurada na Casa do Design de Matosinhos no dia 18 de abril, pelas 18h.
Portugal era um país pobre, sujo, fechado e atrasado mas nos cartazes da propaganda aparecia soalheiro, moderno e civilizado. “Portugal Imaginário – Turismo, Propaganda e Poder (1910-1970)” pretende mostrar o processo de invenção, em termos gráficos, deste outro país à medida do gosto dos turistas.
Para tal, a exposição, comissariada por José Bártolo e Sara Pinheiro, centra-se nas ferramentas de divulgação turística no tempo do ditador António Oliveira Salazar e, mais concretamente, nos cartazes, brochuras, revistas, livros e objetos de arte popular que permitiram configurar o “Sunny” Portugal. “Numa altura em que o número de turistas que nos visitam bate sucessivos recordes, ‘Portugal Imaginário – Turismo, Propaganda e Poder’ promove uma oportuna reflexão em torno das ferramentas usadas na criação de um país para turistas, mas também sobre o surgimento de um novo paradigma estético e a grande renovação das artes gráficas que o acompanhou”, lê-se no comunicado enviado às redações.
Apresentando uma panorâmica sobre a evolução do turismo em Portugal entre o início do século XX e a década de 1970, a exposição identifica as temáticas, as expressões gráficas e as principais linhas de orientação ideológica das entidades que, ao longo deste período, asseguram a promoção turística nacional, nomeadamente a Sociedade de Propaganda de Portugal, o Secretariado de Propaganda Nacional e o Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo.
“Num contexto de gentrificação das principais cidades portuguesas, (…) esta exposição da Casa do Design possibilita um aprofundar do conhecimento em torno de uma idealização nacional veiculada pela comunicação turística e de propaganda, iniciando-se no contexto de um ideal internacionalista da 1ª República e reconfigurando-se – já depois da concretização do Estoril como estância turística criada de raiz e do milagre de Fátima – com o Estado Novo. A promoção turística foi durante este período um dos mais eficazes instrumentos de propaganda nacional e política, na criação de um Portugal Imaginário, sob a direção de António Ferro, para o qual contribuíram notáveis designers e ilustradores modernistas (Fred Kradolfer, Paolo Ferreira, Bernardo Marques, Tom entre outros), na sua maioria esquecidos pela História da Arte e do Design devido às suas ligações ao regime”, explicam os comissários da exposição.
Assim, os visitantes da exposição “Portugal Imaginário – Turismo, Propaganda e Poder” vão descobrir os destinos turísticos publicitados pelo Estado Novo e ficar a conhecer “as motivações associadas à criação do imaginário turístico português assente no sol e na apropriação, recriação e falsificação da ruralidade e do folclore. O retrato deste país supostamente moderno possibilita também um outro olhar sobre a identidade contemporânea portuguesa e as suas narrativas, ora realistas, ora idealistas”.
Organizada pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela esad-idea, Investigação em Design de Arte, a exposição será inaugurada na Casa do Design de Matosinhos no dia 18 de abril, pelas 18h, ficando patente ao público até 1 de setembro. De referir que a mostra contará, a partir de 10 de maio, com uma grande exposição evocativa dos 250 anos da Imprensa Nacional.